
Pesquisa brasileira acompanhou mais de 2 mil crianças por 15 anos e identificou fatores que aumentam o risco de tentativas de suicídio na adolescência e no início da vida adulta.
Um estudo conduzido por pesquisadores brasileiros revelou que traumas na infância, transtornos de comportamento e histórico familiar de comportamento suicida estão entre os principais fatores associados às tentativas de suicídio na adolescência e no início da vida adulta. A pesquisa acompanhou 2.060 crianças e adolescentes durante 15 anos e foi publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.
Os pesquisadores identificaram que meninas apresentaram um risco cerca de três vezes maior de tentar suicídio em comparação aos meninos. Entre os fatores mais relevantes também estão experiências traumáticas na infância, especialmente casos de bullying e abuso físico, além de transtornos externalizantes, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), e histórico de tentativa de suicídio por parte do principal cuidador.
Ao longo do acompanhamento, 309 participantes, o equivalente a 15% da amostra, relataram pelo menos uma tentativa de suicídio. A idade média da primeira tentativa foi de 17,8 anos.
O estudo também apontou que predisposição genética para depressão e diabetes gestacional estiveram associadas a um maior número de tentativas, enquanto o uso de álcool pela mãe durante a gestação apareceu entre os fatores relacionados aos casos considerados mais graves.
Entre todos os fatores analisados, o bullying foi responsável por cerca de 24% do risco associado aos traumas na infância, reforçando a importância de ações preventivas nas escolas e no ambiente familiar.
Os pesquisadores destacam que fatores de risco não determinam o futuro de uma criança. Segundo os autores, a identificação precoce, o tratamento adequado da saúde mental, o enfrentamento do bullying e o cuidado com famílias que apresentam histórico de comportamento suicida podem reduzir significativamente o risco de novas tentativas.

A pesquisa foi desenvolvida por cientistas do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), com apoio da FAPESP e participação de pesquisadores da USP, Unifesp, UFRGS, Unicamp e outras instituições brasileiras.
Fonte: Agência Fapesp
Nota editorial: Ao abordar o tema do suicídio, é importante informar que fatores de risco aumentam a probabilidade, mas não determinam que uma pessoa tentará suicídio. Se você ou alguém que conhece estiver em sofrimento emocional, procurar apoio de familiares, amigos e profissionais de saúde pode fazer diferença. No Brasil, o CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional gratuito e confidencial pelo telefone 188 e pelo site oficial.



