
Uma descoberta científica liderada por pesquisadores de quatro países lançou nova luz sobre os mecanismos de fossilização e preservação da vida pré-histórica. Um estudo publicado na revista científica iScience identificou como tecidos moles e até moléculas orgânicas extremamente frágeis conseguiram permanecer preservados por cerca de 113 milhões de anos em um pterossauro encontrado na Bacia do Araripe, no Ceará.
A pesquisa reuniu especialistas do Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos e revelou que bactérias oxidantes de enxofre tiveram papel fundamental na rápida mineralização do animal após sua morte. Esse processo criou condições excepcionais que impediram a degradação dos tecidos e permitiram uma preservação tridimensional rara no registro fóssil.
Utilizando técnicas avançadas de tomografia 3D, microscopia eletrônica, geoquímica isotópica e espectrometria de massa, os cientistas identificaram pela primeira vez vestígios de esteroides preservados em um pterossauro. A descoberta pode fornecer novas pistas sobre a alimentação desses antigos répteis voadores, que provavelmente consumiam peixes e lulas.
Segundo os pesquisadores, a decomposição inicial do animal gerou um ambiente químico favorável ao desenvolvimento de microrganismos específicos. Esses organismos desencadearam uma sequência de processos minerais que selaram rapidamente o fóssil, protegendo tecidos e biomoléculas que normalmente desapareceriam em poucos dias.
O exemplar estudado pertence ao grupo Anhangueridae, formado por pterossauros de grande porte que viveram durante o período Cretáceo. De acordo com os cientistas, o animal possuía aproximadamente oito metros de envergadura e fazia parte dos primeiros vertebrados capazes de realizar voo motorizado.
Além do avanço científico, o estudo reforça a importância da Bacia do Araripe como um dos mais relevantes sítios fossilíferos do planeta. A região continua revelando informações valiosas sobre a vida na Terra há mais de 100 milhões de anos e consolidando o Brasil como referência mundial em pesquisas paleontológicas.

Bacia do Araripe: um dos mais relevantes sítios fossilíferos do planeta
Fonte: ABN





