
O governo dos Estados Unidos iniciou uma série de audiências públicas para analisar supostas práticas comerciais do Brasil consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. Os encontros, promovidos pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), fazem parte de investigações abertas com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.
A primeira audiência, que termina nesta terça-feira (7), discute a proposta de aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Entre os temas analisados estão o sistema de pagamentos Pix, comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Uma segunda audiência, iniciada nesta terça-feira, reúne representantes de 60 países, incluindo o Brasil, para discutir supostas falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão e na restrição à exportação de produtos fabricados com trabalho forçado. Os debates seguem até quinta-feira (9).
Representantes de entidades brasileiras, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a Embraer participam das audiências para apresentar argumentos em defesa dos interesses nacionais.
Entre os setores que acompanham as discussões está o de rochas naturais. A Centrorochas defende que a eventual adoção de novas tarifas poderá prejudicar empresas norte-americanas que dependem da matéria-prima brasileira, além de afetar a cadeia produtiva nos Estados Unidos.

O governo brasileiro também contestou formalmente as conclusões preliminares do USTR. Em documento enviado ao órgão, o Itamaraty argumenta que não há comprovação de que as políticas comerciais brasileiras causem prejuízos ao comércio norte-americano e afirma que a legislação dos Estados Unidos não autoriza a adoção de medidas unilaterais apenas por divergências em relação às escolhas políticas e econômicas de outro país.
Fonte: ABN



