Feminicídios em 2025: o aumento da violência em espaços públicos

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O Brasil assistiu a uma alarmante escalada de violência contra mulheres em 2025, com um aumento notável de feminicídios em espaços públicos. Casos brutais como os de Tainara Souza Santos, Evelyn de Souza Saraiva e Camila Aparecida Montoro Cruz, vítimas de ex-companheiros, expõem a crueldade e o caráter sistemático desses crimes. Em São Paulo, o número de feminicídios atingiu um recorde histórico, com 53 casos entre janeiro e outubro, resultando em uma mulher assassinada a cada cinco dias. Especialistas alertam que essa migração da violência para fora do ambiente doméstico não é aleatória, mas sim uma manifestação de controle, ódio e reafirmação de uma masculinidade violenta por parte dos agressores. A gravidade da situação exige uma análise profunda dos motivos e mecanismos por trás dessa onda de ataques.

A face cruel da violência em espaços públicos

Casos emblemáticos e a brutalidade dos ataques

Os relatos de violência contra mulheres em 2025 são marcados por uma brutalidade chocante, evidenciando a intensidade do ódio e da intenção de controle dos agressores. Tainara Souza Santos, por exemplo, foi atropelada e arrastada por um carro, tendo suas pernas amputadas antes de falecer. Evelyn de Souza Saraiva foi baleada seis vezes dentro de seu próprio local de trabalho, enquanto Camila Aparecida Montoro Cruz, já vítima de violência doméstica, foi atropelada em plena luz do dia. Esses casos, que ocorreram em ruas, ambientes de trabalho e outros espaços de convivência social, sublinham que a segurança das mulheres está sendo cada vez mais comprometida fora dos muros de suas residências.

Estatísticas e a expansão da violência para além do lar

Apesar de a residência da vítima continuar sendo o principal local de ocorrência de feminicídios, representando 64,3% dos casos (proporção idêntica à de 2023), os dados mais recentes indicam uma preocupante expansão da violência para as vias públicas, que concentram 21,2% dos assassinatos. Esse cenário reflete uma tendência de a violência de gênero transbordar do ambiente doméstico para o espaço público. Em 2025, a capital paulista registrou um recorde de feminicídios desde o início da série histórica em 2018, com 53 casos de janeiro a outubro, resultando em uma média de um assassinato a cada cinco dias. No mesmo período, o estado de São Paulo contabilizou 207 mortes, evidenciando a dimensão da crise.

O rompimento como gatilho e a lógica do controle

Ex-companheiros: os principais agressores e o perigo do término

Pesquisas revelam que os cônjuges, companheiros, namorados ou maridos são os principais autores da violência sofrida por mulheres, respondendo por 40% dos casos. Logo em seguida, ex-cônjuges, ex-companheiros ou ex-namorados são responsáveis por 26,8% das agressões. Especialistas alertam que o rompimento de um relacionamento é um dos momentos de maior risco para a mulher. O fim da convivência pode levar o agressor a perseguir a vítima em diversos locais de sua rotina, como escolas dos filhos, trabalho ou espaços de lazer. A rejeição, decorrente do término, frequentemente desencadeia raiva, ódio e menosprezo pela figura feminina, impulsionando atos de violência extrema.

A reafirmação da masculinidade e o “troféu” da violência

A violência praticada em espaços públicos serve, para o agressor, como uma forma de reafirmar sua masculinidade e demarcar território, muitas vezes motivada pela defesa de uma “honra ferida” em seu imaginário. A crueldade nos feminicídios, embora já seja uma característica marcante, intensifica-se quando o homem se sente rejeitado, levando-o a cometer atos violentos de maneira quase performática. Ações como múltiplos golpes ou a exibição da violência servem como um “troféu”, um recado explícito: “Aqui quem manda sou eu, se você não for minha, você não será de mais ninguém”. Esse comportamento busca reafirmar o poder e o controle sobre a vida da mulher.

O feminicídio como crime de poder

O feminicídio é intrinsecamente um crime de poder, visando a manutenção da supremacia masculina sobre as mulheres. A perseguição e o assassinato da vítima, mesmo em locais públicos, são ferramentas para que o agressor retome o controle que acredita ter perdido. A crescente presença de mulheres em espaços públicos pode, paradoxalmente, levar à migração dos feminicídios para esses ambientes. A mensagem implícita é que o lugar da mulher seria dentro de casa, sob o controle de um patriarca. O feminicida, nesse contexto, não é movido primariamente pelo sentimento de impunidade, mas pela perda percebida de seu poder e masculinidade.

A ineficácia da vigilância e o “overkill”

Câmeras e impunidade: por que não intimidam agressores?

Em uma era de vigilância constante, com celulares e câmeras de segurança onipresentes, os registros audiovisuais são cruciais para a produção de provas contra agressores. No entanto, esses mecanismos não parecem ser suficientes para intimidar os perpetradores. No caso de Evelyn de Souza Saraiva, seu ex-marido a seguiu até o trabalho e atirou contra ela seis vezes, com toda a ação capturada por uma câmera de segurança. Especialistas apontam que, no momento do assassinato, o agressor não se preocupa em ser identificado. O que o motiva é o desejo de destruição e a necessidade de reivindicar a masculinidade que ele acredita ter sido afrontada.

A violência extrema e a transferência de culpa

Casos de feminicídio frequentemente envolvem o conceito de “overkill”, que se refere à aplicação de violência excessiva e simbólica contra a vítima. Isso pode se manifestar em múltiplos golpes, tiros repetidos, mutilações ou o uso de diversos meios de agressão, visando afirmar poder, controle e ódio. O caso de Tainara Souza Santos, que teve as pernas amputadas após ser arrastada por seu ex-ficante, é um exemplo contundente. Essa violência extrema e a transferência de culpa para a vítima são padrões históricos, remetendo a casos emblemáticos do passado, onde a “honra” do agressor era supostamente mais valiosa que a vida da mulher. A sociedade ainda lida com a persistência dessa mentalidade, na qual agressores raramente assumem a responsabilidade por seus crimes.

Desafios e caminhos para o combate à violência

Falhas do Estado e a complexidade do problema

A violência contra a mulher é uma questão complexa, estruturalmente enraizada em uma sociedade patriarcal e machista. Essa realidade se manifesta tanto nas relações privadas quanto nas lacunas e falhas do poder público. O combate efetivo à violência exige um foco contínuo no agressor, proteção efetiva às mulheres, educação de longo prazo e um orçamento público adequado. A ausência de políticas públicas eficazes, a falta de delegacias de defesa da mulher em todos os territórios, o monitoramento insuficiente das medidas protetivas e a implementação limitada de grupos reflexivos para homens são algumas das deficiências do Estado que contribuem para a perpetuação do ciclo de violência.

A necessidade de educação e prevenção

Especialistas enfatizam que o freio para um potencial feminicida reside na sua prisão imediata, conjugada com a inserção em programas que o auxiliem a refletir sobre masculinidades e relações de poder, buscando transformar a disputa em ética do cuidado e solidariedade. Pesquisadores alertam que a punição, por si só, não é suficiente para alterar comportamentos ou impedir a reincidência. O enfrentamento da violência exige educação e prevenção como eixos centrais, com a abordagem de gênero desde a escola. A conscientização e a mudança cultural são fundamentais para desconstruir os padrões machistas que alimentam a violência contra as mulheres.

Perguntas frequentes sobre feminicídio e ajuda

O que é feminicídio e como se manifesta?

Feminicídio é o assassinato de uma mulher cometido em razão de sua condição de mulher, ou seja, motivado por misoginia, menosprezo ou discriminação de gênero. Ele se manifesta de diversas formas, geralmente envolvendo crueldade, agressão anterior, violência doméstica, e ocorre frequentemente por ex-companheiros, cônjuges ou namorados, buscando exercer controle e poder sobre a vítima.

Qual o principal gatilho para os feminicídios em espaços públicos?

O principal gatilho para a violência que transborda para os espaços públicos, conforme especialistas, é o rompimento da relação. A rejeição desperta no agressor um sentimento de raiva, ódio e uma necessidade de reafirmar a sua masculinidade e demarcar território, levando-o a perseguir e agredir a vítima em locais frequentados por ela, como trabalho, escola dos filhos ou ruas.

Quais são os canais de ajuda para vítimas de violência?

Existem diversos canais oficiais e gratuitos para mulheres vítimas de violência:
Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher: Atendimento 24 horas para orientação, acolhimento e registro de denúncias.
Ligue 190 – Polícia Militar: Para situações de emergência ou violência em andamento.
Delegacias da Mulher (DDM) ou qualquer delegacia: Para registro de ocorrências e solicitação de medidas protetivas.
Delegacia Eletrônica: Permite registro online de ameaças, lesões corporais e descumprimento de medida protetiva.
Defensoria Pública: Oferece assistência jurídica gratuita.
Centros de Referência da Mulher (CRAM): Acolhimento psicológico, social e orientação jurídica.

Se você ou alguém que conhece é vítima de violência, não hesite em procurar ajuda. Denuncie e busque apoio nos canais disponíveis. A mudança começa com a sua voz.

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