
Mesmo com os avanços da medicina e a ampliação do acesso aos tratamentos, pessoas que vivem com HIV ainda enfrentam barreiras marcadas pelo preconceito, pela desinformação e pela exclusão social. Essa realidade é o tema central do espetáculo “Ferida$ Política$”, que será apresentado em São Paulo e reúne relatos, reflexões e experiências de pessoas diretamente impactadas pela epidemia.
A iniciativa é conduzida pelo Coletivo Contágio, fundado pelo pesquisador e produtor cultural Ará Silva após receber o diagnóstico de HIV em 2018. Desde então, o grupo desenvolve projetos artísticos que transformam vivências individuais em produções coletivas voltadas à conscientização e ao combate ao estigma.
Segundo Silva, apesar dos avanços científicos que permitem qualidade de vida e tratamento eficaz para pessoas soropositivas, ainda existe falta de informação, inclusive em setores da saúde. Para ele, essa realidade contribui para a manutenção de preconceitos e dificulta o acesso a acolhimento adequado, especialmente entre a população LGBTQIA+.
O espetáculo também propõe uma reflexão sobre os impactos sociais e econômicos da epidemia. Daí surge o nome “Ferida$ Política$”, que relaciona a discussão sobre HIV e aids a questões de desigualdade, vulnerabilidade social e políticas públicas.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou mais de 683 mil casos de infecção por HIV entre 1991 e setembro de 2025. Somente em 2024 foram notificados mais de 39 mil novos casos. O levantamento aponta ainda que a epidemia apresenta características distintas entre diferentes faixas etárias e grupos populacionais.
A apresentação integra a 3ª Mostra Transmissão Contágio e antecede um momento importante para o debate global sobre o tema. Em 2026, o Brasil sediará pela primeira vez a Conferência Internacional sobre Aids, que será realizada no Rio de Janeiro e reunirá especialistas, pesquisadores e representantes da sociedade civil de diversos países.

Mais do que uma produção artística, o espetáculo busca dar visibilidade a histórias frequentemente silenciadas e ampliar o debate sobre direitos, inclusão e respeito às pessoas que vivem com HIV.
Peça de teatro do coletivo Contágio.
Fonte: ABN




