Fotógrafa de São Vicente transforma histórias e emoções em carreira internacional

Fotografar é transformar momentos em memórias eternas.

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  • Nayara Andrade , São Vicente , fotografia , 240 prêmios , carreira internacional , Egito , Baixada Santista , audiovisual , histórias , emoções
Dra Marcela Paiva

Nayara Andrade começou na fotografia sem experiência e hoje acumula mais de 240 prêmios e três reconhecimentos considerados entre os principais da área

Natural do Jóquei Clube, em São Vicente, Nayara Andrade construiu uma carreira na fotografia que ultrapassou fronteiras. Hoje, a profissional acumula mais de 240 prêmios e já recebeu três vezes o chamado Oscar da Fotografia. O reconhecimento, no entanto, veio depois de uma trajetória marcada pelo aprendizado na prática, pela persistência e pela busca de um olhar próprio.

A história começou aos 19 anos, quando Nayara embarcou em um navio para trabalhar como fotógrafa. O detalhe é que ela ainda não sabia fotografar. “Eu não sabia ligar uma câmera fotográfica, eu mal falava algumas palavras em inglês, mas eu tinha muita vontade de aprender”, recorda.

Para conseguir embarcar, vendeu a própria moto e investiu o dinheiro na compra dos equipamentos necessários. No primeiro dia de trabalho, recebeu uma câmera e precisou aprender na prática. A missão era fotografar os passageiros e vender as imagens.

Nayara percebeu rapidamente que não bastava registrar as pessoas. Era preciso criar fotografias que despertassem nelas o desejo de guardar aquele momento.

“Na minha cabeça, como as pessoas vão comprar as fotos? Elas têm que sair bonitas. Então eu comecei a inventar algumas coisas com as pessoas, a buscar espontaneidade.”

O resultado veio rapidamente. Ela se tornou retratista oficial do navio e, depois, fotógrafa oficial das excursões. Durante dez meses embarcada, conheceu 17 países e passou 11 vezes pelo Egito. Também visitou locais como a Acrópole, na Grécia, o Coliseu, na Itália, e navegou pelo Rio Nilo.

O momento que mudou seu olhar

Foi no Egito que Nayara descobriu o significado que queria dar à fotografia. Depois de registrar um grupo de crianças que trabalhava próximo às pirâmides, ela retornou na semana seguinte levando cópias impressas das imagens.

A reação das crianças a marcou profundamente. Elas se reconheciam nas fotografias e tentavam entender como suas próprias imagens haviam se transformado em algo que poderiam segurar nas mãos.

A experiência fez a fotógrafa perceber que uma fotografia poderia representar muito mais do que uma imagem bonita: poderia preservar um momento que nunca mais se repetiria.

No navio, ela também fotografava passageiros em situações especiais, como luas de mel, encontros familiares e viagens que poderiam representar uma das últimas grandes experiências de suas vidas.

“Eu me descobri como fotógrafa no Egito. Ali eu resolvi o que eu queria fazer com o resto da vida: pegar momentos importantes na vida das pessoas e torná-los eternos.”

A frase “Agradeço ao Criador por me ensinar a criar”, que acompanha sua trajetória desde o início, acabou eternizada em uma tatuagem na nuca.

De volta a São Vicente

Quando retornou ao Brasil, Nayara voltou sem a moto que havia vendido, sem relacionamento e sem sequer ter um quarto na casa da mãe. Mesmo assim, decidiu continuar trabalhando com fotografia.

Com algumas imagens impressas e um CD contendo seu trabalho, começou a procurar oportunidades em estúdios da região.

Em um dos testes, ouviu de um fotógrafo que suas imagens eram ruins e que deveria procurar outra profissão. A crítica, porém, teve efeito contrário.

“Eu falo que ele fundou a minha empresa. Aquilo me marcou muito. Eu gostava do que fazia e acreditava que aquilo era bom, mesmo não tendo experiência.”

AgênciaModerna

Nayara continuou. Vieram os primeiros casamentos, festas familiares e ensaios. O olhar que inicialmente parecia diferente começou a se transformar em sua assinatura profissional.

Uma fotografia de um segundo

Com o tempo, a fotógrafa ampliou a divulgação do trabalho para além da Baixada Santista e passou a conquistar novos clientes.

Durante a pandemia, quando o setor de eventos parou, ela teve a oportunidade de olhar para a própria trajetória e entender o que havia por trás de tantas imagens premiadas.

Segundo Nayara, 90% de suas fotografias premiadas registram momentos decisivos — situações em que uma diferença de apenas um segundo poderia fazer com que aquela imagem não existisse.

Depois de mais de 15 anos de carreira, a fotógrafa passou por um novo período de reflexão. Em 2026, reduziu os trabalhos, recusou convites e contratos e voltou a São Vicente, onde construiu praticamente do zero o espaço em que trabalha atualmente.

Reinventar para continuar

Mesmo depois de centenas de premiações e experiências internacionais, Nayara afirma que ainda busca novas possibilidades na fotografia e no audiovisual.

“Depois de 15 anos, ainda quero me reinventar. E, se perguntarem hoje quais seriam meus planos futuros, é continuar minha missão.”

Para ela, o reconhecimento mais importante não está necessariamente nos troféus. Está na capacidade de uma fotografia fazer alguém voltar a um momento vivido, lembrar de uma pessoa e sentir novamente uma emoção.

“Independentemente daquilo que você faça, primeiro, você tem que amar. Tudo que você faz com amor e com vontade dá dinheiro, não só pelo valor financeiro, mas pelo reconhecimento e pela satisfação. E saber que realmente está fazendo a diferença.”

A trajetória de Nayara começou com uma câmera que ela ainda não sabia usar. Mais de uma década depois, a fotografia se transformou em profissão, reconhecimento internacional e, sobretudo, em uma maneira de preservar histórias que poderiam desaparecer com o tempo.

Fonte: Pr4efeitura de São Vicente

Gráfica e Editora Copbem, sempre causando uma boa impressão
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