Uma pesquisa apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) revelou que o fungo causador da esporotricose, doença frequentemente associada a gatos domésticos, também está presente em animais silvestres. A descoberta amplia o entendimento sobre a circulação do patógeno e levanta novas questões para a saúde animal e humana.
O estudo identificou três espécies do gênero Sporothrix em órgãos internos de aves, mamíferos e répteis encontrados em áreas de Mata Atlântica e regiões de transição entre ambientes rurais, urbanos e silvestres. Entre elas está a Sporothrix brasiliensis, considerada a principal responsável pelos casos de esporotricose registrados no Brasil.
Os pesquisadores encontraram material genético dos fungos em órgãos como coração e fígado, indicando que esses microrganismos podem estar circulando no organismo dos animais de forma mais ampla do que se imaginava. A espécie mais frequente foi a Sporothrix schenckii, detectada em diferentes grupos de animais.
A pesquisa também registrou a presença do fungo em espécies silvestres, incluindo aves, uma cobra-coral-falsa e o gato-do-mato-do-sul, espécie ameaçada de extinção. Os resultados sugerem que animais selvagens podem atuar como reservatórios naturais do patógeno.
Outro aspecto destacado pelos cientistas é que áreas onde há maior interação entre animais domésticos e silvestres apresentaram mais ocorrências do fungo, reforçando a importância do monitoramento ambiental e da abordagem integrada de Saúde Única, que conecta a saúde humana, animal e ambiental.
O estudo ainda aponta que a análise de animais silvestres mortos em rodovias pode se tornar uma ferramenta eficiente e de baixo custo para vigilância epidemiológica, contribuindo para a identificação precoce de doenças com potencial de transmissão entre espécies.
Fonte: Agência Fapesp
Gato-do-mato-do-sul (Leopardus guttulus) atropelado em estrada no norte do Paraná.
Animais selvagens podem ser reservatórios de fungos patogênicos




