Estudo publicado na Nature identifica genes ligados à imunidade, resistência a vírus, longevidade e prevenção de tumores
Pesquisadores identificaram nos morcegos um conjunto de adaptações genéticas relacionadas simultaneamente à imunidade, resistência a vírus, envelhecimento e prevenção do câncer. O estudo, publicado na revista científica Nature, sugere que a estratégia evolutiva desses animais pode inspirar novas abordagens para a medicina humana.
Um dos exemplos é o morcego-marrom-pequeno (Myotis lucifugus). Com tamanho semelhante ao de um pequeno roedor, ele pode viver até 34 anos — muito acima da expectativa de vida de animais de porte semelhante.
“Parece que cada mamífero tem sua própria estratégia de longevidade e imunidade, determinada por sua história evolutiva”, afirmou o autor principal, Juan Vázquez, da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos.
Defesa contra diferentes tipos de vírus
Os cientistas analisaram os genomas de oito espécies e também realizaram experimentos celulares em laboratório. Os resultados indicaram que os morcegos desenvolveram mecanismos capazes de combater vírus de DNA, como os causadores de varíola e herpes, além de respostas mais flexíveis contra vírus de RNA, que sofrem mutações rapidamente, como o da gripe.
Segundo a pesquisadora Elise Lauterbur, da Universidade de Vermont, diferentes alterações genéticas podem oferecer vantagens diante de diferentes ameaças virais.
O que isso tem a ver com o câncer?
Os pesquisadores encontraram uma sobreposição entre genes relacionados ao envelhecimento, à defesa contra vírus e à inibição de tumores. A descoberta indica que esses processos, normalmente estudados de forma separada, podem estar biologicamente conectados.
No caso do câncer, uma das estratégias identificadas chama atenção: eliminar células danificadas antes que elas acumulem mutações capazes de desencadear tumores.

Em vez de depender apenas do reparo do DNA, os morcegos parecem favorecer a substituição de células comprometidas por novas. O mecanismo também é observado em outros animais longevos, como elefantes, ratos-toupeira-pelados e baleias-da-groenlândia.
Possível inspiração para a medicina
Para Vázquez, compreender essas adaptações pode ajudar a ciência a investigar formas de fortalecer a resposta imunológica contra tumores sem provocar o esgotamento das defesas do organismo.
Os pesquisadores destacam ainda que a capacidade dos morcegos de conviver com diversos vírus sem desenvolver doenças graves pode ajudar a entender por que alguns desses agentes provocam consequências muito mais severas quando passam para seres humanos, como ocorreu com o Sars-CoV-2.
Fonte: IG Notícias



