Indígenas catalogam espécies da Amazônia para proteger biodiversidade

Conhecer a floresta para proteger a vida.

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  • Amazônia , Indígenas , Panará , Biodiversidade , Ciência , Conservação , Espécies , Pesquisa

Inventário na Terra Indígena Panará já registrou quase 15 mil indivíduos de 602 espécies em uma área de 500 mil hectares.

Pesquisadores indígenas e cientistas trabalham juntos para catalogar a biodiversidade da Terra Indígena (TI) Panará, na Amazônia, em uma iniciativa que combina conhecimento ancestral e ferramentas da ciência acadêmica. O território, com cerca de 500 mil hectares, fica na divisa entre Pará e Mato Grosso.

O inventário já registrou quase 15 mil indivíduos de 602 espécies de animais, plantas e insetos. Desse total, 27 espécies estão classificadas como criticamente ameaçadas de extinção.

A iniciativa é realizada pela Conservação Internacional (CI-Brasil), em parceria com a Rede Xingu+, a Associação Indígena Iakiô, universidades públicas e outras organizações. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade e fortalecer ações de conservação em uma região pressionada pelo garimpo ilegal e outras atividades irregulares.

Durante as expedições, pesquisadores percorrem trilhas, coletam imagens e amostras de espécies e analisam a água do Rio Rriri, afluente do Xingu que atravessa a terra indígena. Os indígenas também foram capacitados para utilizar GPS, aplicativos de catalogação e câmeras automáticas, acionadas pelo movimento ou pelo calor dos animais.

Conhecimento indígena e tecnologia

A participação dos pesquisadores Panará é considerada fundamental para o levantamento. O conhecimento sobre o território ajuda a localizar animais, identificar rastros e compreender hábitos das espécies.

As câmeras também permitiram registrar animais que dificilmente seriam encontrados durante as caminhadas. Para os pesquisadores indígenas, a experiência ampliou o contato com ferramentas tecnológicas e abriu novas possibilidades de participação nas pesquisas.

Entre os registros está uma árvore conhecida pelos Panará como , que está sendo analisada como uma possível espécie ainda não descrita pela ciência. A identificação, porém, não foi confirmada. Novas amostras precisam ser coletadas durante o período de floração para que os botânicos concluam a análise.

Adoção Pet Love

Inventário ainda precisa ser concluído

O trabalho foi temporariamente interrompido por falta de recursos para uma nova expedição. A expectativa é retomar as atividades e concluir o inventário, já que os pesquisadores acreditam que ainda existam muitas espécies a serem registradas.

Ao final, os dados deverão ser analisados pelos pesquisadores indígenas antes de serem disponibilizados no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBr). A proposta é que os Panará sejam reconhecidos como detentores e autores dos conhecimentos associados aos registros.

Também foi criado um protocolo para a publicação de pesquisas derivadas do projeto. Antes da divulgação de estudos acadêmicos, os pesquisadores não indígenas apresentam aos Panará, por meio de vídeos ou áudios, quais informações serão utilizadas e qual será o objetivo da publicação.

A iniciativa busca garantir que o conhecimento tradicional seja preservado, reconhecido e compartilhado com a comunidade científica sem deixar de considerar a participação dos povos que vivem e conhecem o território.

Fonte: ABN

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