
Estudo genético identifica características que protegem Jonathan dos efeitos do envelhecimento e podem abrir caminhos para pesquisas sobre a saúde humana.
Ele nasceu por volta de 1832, foi contemporâneo de Charles Darwin, atravessou duas guerras mundiais e resistiu a grandes pandemias. Aos impressionantes 194 anos, Jonathan, considerado o animal terrestre mais velho do mundo, acaba de revelar à ciência pistas sobre o segredo de sua longevidade.
A tartaruga-gigante chegou à ilha de Santa Helena, território britânico no Atlântico, em 1882, vinda das Ilhas Seychelles. Na época, já tinha aproximadamente 50 anos. Desde então, vive nos jardins da residência oficial do governador.
Intrigados com tamanha resistência ao tempo, cientistas de quatro países analisaram o DNA de Jonathan e compararam os resultados com os de outras tartarugas da mesma espécie.
O estudo, publicado na revista Science Advances, identificou 287 variantes genéticas únicas associadas a mecanismos de proteção contra o envelhecimento. Elas estão relacionadas ao reparo do DNA, controle da inflamação, regulação da insulina e supressão do câncer.
Mas a descoberta mais surpreendente está no chamado metiloma, conjunto de marcas químicas que controla a atividade dos genes. Mesmo após quase dois séculos, Jonathan mantém uma estabilidade genética semelhante à de tartarugas muito mais jovens.
Na prática, isso significa que processos essenciais, como produção de energia e reparação celular, continuam funcionando com uma eficiência extraordinária.
Para os pesquisadores, Jonathan representa um modelo raro de resistência biológica. Agora, o desafio é compreender como esses mecanismos naturais podem contribuir para o desenvolvimento de tratamentos capazes de melhorar a saúde humana durante o envelhecimento.
O segredo de Jonathan não está apenas em viver mais, mas em mostrar à ciência como o organismo pode resistir melhor à passagem do tempo.

Jonathan chegou à ilha de Santa Helena como um presente
para o governador local, sir William Grey-Wilson — Foto: Arquivo
Fonte: G1




