Sepultamento descoberto na Polônia tinha foice junto ao pescoço e cadeado no pé; arqueólogos investigam crenças e práticas contra supostos mortos perigosos.
Uma jovem de 18 a 20 anos foi enterrada na Polônia com uma foice posicionada junto ao pescoço e um cadeado preso a um dos dedos do pé. O sepultamento, descoberto em 2022 por arqueólogos da Universidade Nicolau Copérnico, ficou conhecido como a “sepultura da vampira de Pień”.
Os objetos encontrados no túmulo indicam que alguém pode ter tentado impedir que a mulher, identificada informalmente como Zosia, retornasse dos mortos. O arqueólogo Dariusz Poliński, responsável pelas pesquisas, evita classificá-la como vampira e chegou a sugerir, em tom de brincadeira, o nome Karmila, em referência à literatura gótica.
Segundo os pesquisadores, a foice não fazia parte do enterro original. O túmulo teria sido reaberto pouco depois da morte, quando o corpo foi danificado na região dos ombros. Durante essa intervenção, a foice teria sido colocada junto ao pescoço como uma proteção contra um possível retorno da morta.
Foice foi colocada junto ao pescoço da jovem em uma
tentativa de impedir que ela voltasse dos mortos
Os estudos indicam que a jovem morreu após uma parada do sistema circulatório. Ela apresentava sinais de problemas de saúde, incluindo câncer, que pode ter provocado alterações no corpo. Uma característica incomum nos dentes e possíveis deformidades físicas também podem ter contribuído para que fosse vista como diferente pela comunidade.

Na Europa Oriental, mortes consideradas incomuns e características físicas fora do padrão podiam alimentar crenças sobre pessoas capazes de voltar dos mortos.
O cemitério de Pień também chama a atenção. A área é mais recente que os sepultamentos encontrados em outra parte da região, datados dos séculos 10 e 11. Não há registros escritos que expliquem a origem do local, que ficava distante da paróquia responsável pelos sepultamentos.
Uma das hipóteses é que o espaço tenha sido utilizado por grupos vindos de outras regiões da Europa ou por pessoas que não tinham autorização para serem enterradas em cemitérios tradicionais. Para os arqueólogos, Pień pode ter recebido indivíduos considerados diferentes ou rejeitados pela comunidade.
Escavações anteriores encontraram outros enterros incomuns, incluindo o de uma criança com pregos próximos à cabeça. Objetos de ferro eram associados a práticas apotropaicas, usadas para afastar o mal e proteger os vivos de mortos considerados perigosos.
Sepultamento foi encontrado em Pien, na Polônia




