A Baixada Santista, no litoral de São Paulo, foi palco de uma chocante escalada de violência contra a mulher, com duas mortes por feminicídio registradas em menos de 24 horas, justamente no fim de semana que antecedeu o Dia Internacional da Mulher. Esses eventos trágicos sublinham um padrão alarmante de agressões fatais cometidas por parceiros ou ex-parceiros na região, onde ao menos seis mulheres já foram brutalmente assassinadas em circunstâncias semelhantes apenas neste início de ano. O cenário de vulnerabilidade e a urgência de medidas preventivas se tornam cada vez mais evidentes diante da persistência desses crimes hediondos.
- Praia Grande em Luto: Vidas Ceifadas Pela Violência Doméstica
- Uma Cronologia de Dor: Outros Feminicídios Marcam o Ano na Baixada Santista
- Lacunas nos Dados e Outros Casos de Mortes Suspeitas de Mulheres
- O Que Caracteriza o Feminicídio: Uma Compreensão Necessária
- Conclusão: Um Chamado Urgente por Ação e Proteção
Praia Grande em Luto: Vidas Ceifadas Pela Violência Doméstica
Os recentes casos que abalaram a Praia Grande envolvem Katiana Oliveira, de 40 anos, e Thaís Rodrigues, de 34. Katiana foi vítima de seu ex-companheiro, Eronildo Manoel da Silva, que a assassinou a tiros na manhã de sábado (7). A tragédia se repetiu na madrugada do dia seguinte, quando Thaís Rodrigues foi morta pelo próprio marido, Pedro Ubiratan de Oliveira, que era pai de suas três filhas. Ambos os agressores foram prontamente detidos em flagrante pelas autoridades, e as vítimas foram sepultadas nesta segunda-feira (9) no Cemitério Morada da Grande Planície, no bairro Vila Antártica, deixando um rastro de dor e indignação.
Uma Cronologia de Dor: Outros Feminicídios Marcam o Ano na Baixada Santista
Os casos de Katiana e Thaís são os mais recentes de uma série preocupante que assola a Baixada Santista desde o início de 2024. A violência de gênero tem se manifestado de forma brutal, culminando na morte de diversas mulheres pelas mãos de seus parceiros ou ex-parceiros. Um dos primeiros registros do ano foi em 2 de janeiro, quando Jéssica Santos de Sousa, de 33 anos, foi encontrada esfaqueada em Praia Grande, com o suspeito Henrique da Silva Miranda preso dias depois. Em 18 de janeiro, Geovana Stefany Trajano Silva, de 19 anos, foi assassinada com um tiro na nuca em Itanhaém, e seu companheiro, Juan Gustavo Nelson Ascenço da Silva, foi capturado um mês após o crime.
Ainda em janeiro, no dia 20, Barbara Denise Folha de Oliveira, de 34 anos, foi encontrada morta em sua residência em São Vicente, em circunstâncias macabras, e seu ex-marido, Manoel Ferro de Melo, confessou o ato. Fevereiro trouxe mais uma vítima: Ana Paula Ferreira Campos, encontrada sem vida em um motel em Santos em 7 de fevereiro, após ter sido levada à força pelo ex-companheiro, Flávio Alves da Silva, que foi achado enforcado no local. Além desses, no dia 5 de março, um caso de 'morte suspeita' envolvendo Jade Muniz, uma jovem grávida, foi registrado em Praia Grande, quando ela foi encontrada morta ao lado de seu companheiro, que estava enforcado, adicionando mais uma ocorrência grave ao cenário de violência na região.
Lacunas nos Dados e Outros Casos de Mortes Suspeitas de Mulheres
Apesar da crescente ocorrência de feminicídios, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) revelou que não dispõe de um balanço consolidado específico sobre esses crimes na Baixada Santista. A pasta também não se pronunciou sobre ações preventivas direcionadas ao município, evidenciando uma lacuna crítica no acompanhamento e combate a essa forma de violência.
Paralelamente aos feminicídios, a região tem registrado a descoberta de corpos de outras mulheres em circunstâncias ainda não totalmente esclarecidas. Pelo menos quatro casos se destacam: corpos encontrados na praia de Itanhaém, no lixão de Praia Grande, na catraia em Santos e em uma rodovia em São Vicente. Desses, apenas a mulher encontrada no canteiro central da Rodovia dos Imigrantes apresentava sinais confirmados de violência, com a ocorrência sendo investigada como morte suspeita, reforçando a complexidade e a urgência em desvendar a totalidade da violência que atinge o sexo feminino na região.
O Que Caracteriza o Feminicídio: Uma Compreensão Necessária
É fundamental diferenciar e compreender o que configura o feminicídio. Este crime é tipificado quando o assassinato de uma mulher ocorre por razões da condição de sexo feminino. Isso inclui situações de violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher. A legislação brasileira, por meio da Lei 13.104/2015, tornou o feminicídio um tipo qualificado de homicídio, agravando a pena e reconhecendo a especificidade da violência de gênero.
Conclusão: Um Chamado Urgente por Ação e Proteção
A sucessão de feminicídios e mortes suspeitas na Baixada Santista acende um alerta vermelho para a sociedade e as autoridades. A ausência de dados consolidados e de respostas sobre ações preventivas por parte da segurança pública reflete um desafio sistêmico na proteção das mulheres. É imperativo que sejam implementadas políticas eficazes de prevenção, denúncia e acolhimento às vítimas, bem como a fiscalização rigorosa dos agressores. A vida de Katiana, Thaís e tantas outras mulheres não pode ser apenas um número nas estatísticas, mas um grito por justiça e por um futuro onde a violência de gênero seja, finalmente, erradicada.
Fonte: https://g1.globo.com



