
Encontro na TV Globo teve provocações sobre deficiência física, acusações relacionadas à segurança pública e corrupção, além de embates sobre economia e programas sociais.
O último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026, realizado na noite de sexta-feira (23), foi marcado por confrontos entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Transmitido pela TV Globo, o encontro começou com discussões sobre propostas de governo, mas ganhou intensidade à medida que os candidatos passaram a trocar acusações e ataques pessoais.
- Encontro na TV Globo teve provocações sobre deficiência física, acusações relacionadas à segurança pública e corrupção, além de embates sobre economia e programas sociais.
- 1. Lula recomenda que eleitores pesquisem no Google
- 2. Flávio critica custo de vida e diz que Lula prometeu picanha, mas entregou abóbora
- 3. Troca de ataques com as expressões “nove dedos” e “miliciano”
- 4. Lula se confunde com o cronômetro e deixa tempo sobrando
- 5. Lula cobra explicações sobre publicações que chamavam Bolsa Família de “bolsa-farelo”
- 6. Candidatos trocam acusações sobre o jogo do Tigrinho
- 7. Lula questiona Flávio sobre defesa de policial acusado pela morte de criança
- 8. Lula comete ato falho ao falar sobre segurança pública
- 9. Corrupção, Banco Master, uísque e disputa por ilha dominam bloco final
- 10. Considerações finais contrapõem democracia, economia e segurança
Tecnicamente empatados nas pesquisas eleitorais mais recentes, segundo o relato da cobertura do debate, Lula e Flávio buscaram conquistar o apoio dos eleitores indecisos na reta final da disputa.
Um dos momentos de maior tensão ocorreu quando o senador chamou Lula de “nove dedos”, em referência à deficiência física do presidente, que perdeu um dedo em um acidente de trabalho. Lula reagiu chamando o adversário de “miliciano” e exigiu um pedido de desculpas.
Economia, Bolsa Família, segurança pública, apostas on-line e suspeitas envolvendo pessoas próximas aos candidatos também estiveram entre os assuntos abordados.
Confira dez momentos que marcaram o debate.
1. Lula recomenda que eleitores pesquisem no Google
Ao longo do encontro, Lula recorreu repetidamente ao Google para sugerir que os telespectadores verificassem informações sobre realizações dos governos petistas e controvérsias envolvendo a família Bolsonaro.
Em uma das intervenções, o presidente afirmou que Flávio estudava para decorar informações, e não para compreendê-las.
O senador reagiu questionando a insistência do adversário em mencionar a ferramenta de busca.
“Lula, quem é que governa o Brasil? É você ou é o Google? Tudo pergunta para o Google?”, provocou Flávio.
2. Flávio critica custo de vida e diz que Lula prometeu picanha, mas entregou abóbora
A economia e o poder de compra das famílias foram alguns dos principais temas explorados pelo candidato do PL.
Flávio criticou os juros elevados e citou a redução das quantidades de produtos vendidos em embalagens, afirmando que os consumidores passaram a levar menos mercadorias para casa.
“Lula prometeu picanha e entregou abóbora”, declarou o senador, retomando uma promessa associada à campanha presidencial de 2022.
Em resposta, Lula destacou a política de valorização do salário mínimo e afirmou que seu governo garantiu reajustes acima da inflação para salários e aposentadorias.
3. Troca de ataques com as expressões “nove dedos” e “miliciano”
O momento de maior tensão pessoal ocorreu durante uma discussão sobre salário mínimo e transporte público.
Flávio Bolsonaro fez uma provocação relacionada à deficiência física de Lula, afirmando que o governo dava benefícios com uma mão e retirava com os “nove dedos”.
O presidente reagiu imediatamente.
“Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, declarou Lula.
O petista relembrou que perdeu um dedo em um acidente de trabalho, quando era operário, e afirmou que a provocação desrespeitava trabalhadores que sofreram acidentes profissionais.
Lula exigiu um pedido de desculpas. Flávio afirmou que não tinha intenção de ofendê-lo e se desculpou, mas logo retomou as críticas ao governo, mencionando questões sociais e de segurança pública.
A expressão utilizada por Lula foi uma acusação política dirigida ao adversário, não uma conclusão judicial apresentada durante o debate.
4. Lula se confunde com o cronômetro e deixa tempo sobrando
O presidente também protagonizou momentos de confusão com as regras de utilização do tempo.
Em pelo menos três ocasiões, Lula encerrou ou tentou encerrar suas intervenções antes de utilizar todos os minutos disponíveis.
O mediador César Tralli precisou alertá-lo sobre o tempo restante.
No primeiro bloco, Lula chegou a deixar um minuto e meio sem utilização. Situações semelhantes ocorreram posteriormente, incluindo uma intervenção em que ainda havia dois minutos disponíveis.
Os episódios provocaram reclamações de Flávio Bolsonaro.
5. Lula cobra explicações sobre publicações que chamavam Bolsa Família de “bolsa-farelo”
O presidente questionou Flávio sobre antigas publicações nas redes sociais em que o senador utilizou a expressão “bolsa-farelo” para se referir ao Bolsa Família.
As mensagens foram publicadas entre 2011 e 2013, período em que Flávio exercia mandato de deputado estadual no Rio de Janeiro, e passaram a ser exploradas pela campanha petista.
Durante o debate, Lula classificou a expressão como desrespeitosa com a população de baixa renda.
Flávio não respondeu diretamente à pergunta e direcionou a discussão para os reajustes do benefício social.
6. Candidatos trocam acusações sobre o jogo do Tigrinho
A expansão das apostas e dos cassinos on-line também entrou no confronto presidencial.

Flávio responsabilizou Lula pelo crescimento do chamado jogo do Tigrinho e fez uma provocação envolvendo o presidente e seu filho.
Lula rebateu atribuindo responsabilidades ao governo de Jair Bolsonaro e devolveu o ataque ao senador.
A discussão, entretanto, envolve uma trajetória regulatória mais ampla. As apostas de quota fixa foram legalizadas em 2018, durante o governo Michel Temer, com previsão de regulamentação posterior.
O prazo transcorreu durante o governo Bolsonaro sem a conclusão dessa regulamentação. Já no governo Lula, o tema voltou a ser tratado e a legislação aprovada pelo Congresso também passou a contemplar jogos de cassino on-line.
7. Lula questiona Flávio sobre defesa de policial acusado pela morte de criança
Outro momento de forte tensão ocorreu durante a discussão sobre segurança pública.
Lula questionou Flávio por ter atuado gratuitamente como advogado de Bruno Dias Delaroli, policial militar acusado de homicídio doloso pela morte de Ana Clara Machado, atingida por disparos de fuzil em Niterói (RJ), em 2021, quando tinha cinco anos.
A mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, estava entre os convidados do presidente no estúdio.
Ao tentar prestar solidariedade, Flávio confundiu o nome da mãe com o da vítima, provocando uma reação de Cristiane.
O senador afirmou acreditar na inocência do policial e ressaltou que ele ainda não havia sido julgado.
Lula também questionou posições anteriores do adversário relacionadas à identificação de munições, tema relevante para investigações de crimes cometidos com armas de fogo.
8. Lula comete ato falho ao falar sobre segurança pública
Durante o mesmo segmento, Lula cometeu um deslize verbal ao abordar a proposta de criação de um Ministério da Segurança Pública.
O presidente afirmou que seu governo iria “acabar com a polícia”, quando, pelo contexto da discussão, pretendia se referir ao combate às milícias.
O trecho foi rapidamente destacado e compartilhado nas redes sociais por apoiadores de Flávio Bolsonaro.
9. Corrupção, Banco Master, uísque e disputa por ilha dominam bloco final
No quarto bloco, destinado ao confronto livre, os candidatos retomaram acusações envolvendo suspeitas de corrupção e relações pessoais.
Lula cobrou explicações sobre a disputa judicial relacionada a uma ilha no Rio de Janeiro, envolvendo Flávio Bolsonaro, o advogado Willer Tomaz e o jogador Richarlison. O atleta acusa publicamente o senador e o advogado de envolvimento em uma tentativa de tomar a propriedade.
Flávio respondeu mencionando uma reportagem sobre uma suposta garrafa de uísque Macallan, avaliada em R$ 500 mil, que teria sido oferecida a Lula pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao escândalo do Banco Master.
O presidente, por sua vez, questionou a relação entre Flávio e Vorcaro, citando uma solicitação de R$ 134 milhões que teria sido feita ao banqueiro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
Lula também mencionou uma reportagem da revista piauí sobre a suposta participação do senador em uma festa realizada em uma embarcação, em 2020, com lobistas interessados na comercialização de vacinas.
As declarações envolveram acusações e informações atribuídas a reportagens e disputas entre terceiros, não representando comprovação automática de irregularidades.
10. Considerações finais contrapõem democracia, economia e segurança
Nos minutos finais, Lula voltou a pedir que os eleitores comparassem os resultados de seu governo com os da administração de Jair Bolsonaro.
O presidente também retomou o ataque pessoal ao adversário, afirmando que a eleição representava uma escolha sobre a continuidade do funcionamento da democracia.
Flávio encerrou sua participação enfatizando o custo de vida, a segurança pública e o histórico dos governos petistas.
“A sua vida melhorou ou piorou nos últimos quatro anos?”, questionou o senador.
O candidato do PL também pediu que os telespectadores rezassem um Pai-Nosso antes da votação.
O debate encerrou a série de confrontos diretos entre os dois presidenciáveis antes do segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro.
Fonte: Band Notícias



