Lula sobre as terras raras: “O Brasil não abre mão da sua soberania”

Brasil reforça investimentos em defesa, ciência e saúde para ampliar soberania e enfrentar desafios estratégicos globais

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  • soberania nacional, Sirius, defesa, inovação, semicondutores, minerais críticos, SUS, tecnologia

O fortalecimento da soberania nacional, da capacidade científica e da inovação tecnológica deve ocupar posição estratégica no futuro do Brasil. A avaliação foi reforçada nesta semana durante agendas que reuniram autoridades do governo federal e especialistas em política externa, evidenciando que defesa, ciência e tecnologia caminham lado a lado diante dos desafios globais.

Durante a 2ª Conferência Nacional Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, realizada na Universidade Federal do ABC (UFABC), em São Bernardo do Campo (SP), o assessor-chefe adjunto da Assessoria Especial da Presidência da República, Audo Faleiro, alertou para a necessidade de o país rever sua postura em relação à defesa nacional.

Segundo ele, a recente ação militar dos Estados Unidos na Venezuela ampliou a percepção sobre vulnerabilidades estratégicas e trouxe urgência ao debate sobre investimentos na área. Embora tenha ressaltado não enxergar ameaças imediatas às reservas brasileiras de petróleo ou ao programa nuclear, Faleiro afirmou que o país precisa discutir seriamente sua capacidade de dissuasão.

“Nem sempre o mais forte vence, desde que você tenha uma capacidade de dissuasão bem feita. Acho fundamental pensar a nossa situação em matéria de defesa. O Brasil é muito vulnerável, isso é evidente”, destacou.

O assessor apontou ainda outros desafios para a política externa brasileira até 2030, entre eles minerais críticos e terras raras, soberania digital, combate ao crime organizado transnacional, integração regional e o fortalecimento das relações com países africanos.

Ciência a serviço da soberania

Enquanto o debate sobre defesa ganha espaço, o Brasil também investe no fortalecimento de sua infraestrutura científica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da inauguração de quatro novas linhas de pesquisa do acelerador de partículas Sirius, considerado a maior e mais complexa estrutura científica já construída no país.

A linha Tatu, primeira fonte de luz de quarta geração na faixa dos terahertz, permitirá pesquisas avançadas em materiais quânticos, sistemas nanofotônicos e biomoléculas, com potencial para aplicações em telecomunicações, computação e processamento de dados baseados em luz.

A Sapucaia será dedicada a estudos com nanopartículas, proteínas, polímeros, medicamentos, catalisadores e terapias. Já a Quati possibilitará pesquisas em materiais voltados às indústrias petroquímica e farmacêutica, além de estudos sobre terras raras e minerais críticos. A linha Sapê terá foco no desenvolvimento de materiais avançados para energia, saúde e infraestrutura, incluindo semicondutores e supercondutores essenciais para a fabricação de novos chips.

A ministra da Ciência e Tecnologia destacou que o Sirius colocou o Brasil em um seleto grupo de países capazes de dominar a tecnologia de fontes de luz síncrotron de quarta geração.

“O Sirius colocou o país em outro patamar científico e tecnológico. O Brasil passou a integrar um grupo extremamente restrito e seleto de países que dominam essa tecnologia”, afirmou.

Inovação para o SUS

Durante a cerimônia, também foi lançada a pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, iniciativa que será desenvolvida inicialmente pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

O programa busca fortalecer a soberania tecnológica na área da saúde por meio do desenvolvimento nacional de biomoléculas, biossensores, dispositivos médicos e novas ferramentas de diagnóstico voltadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta pretende reduzir a dependência brasileira de tecnologias importadas e ampliar a capacidade nacional de criar soluções alinhadas às necessidades da população.

Os anúncios reforçam que, diante de um cenário internacional cada vez mais complexo, o Brasil busca combinar investimentos em defesa, ciência e inovação para ampliar sua autonomia estratégica, impulsionar o desenvolvimento tecnológico e garantir maior soberania nacional.

Fonte: ABN

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