Microscópio da USP identifica danos estruturais ao cabelo após tratamento estético

Pesquisa da USP mostra que chapinhas, secadores e químicas combinadas podem degradar a estrutura dos cabelos e provocar danos irreversíveis

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Uma pesquisa realizada no Instituto de Física da USP trouxe um alerta importante para milhões de pessoas que utilizam chapinhas, secadores e procedimentos químicos nos cabelos. O estudo revelou que a combinação entre descoloração, alisamentos ácidos e altas temperaturas pode causar danos profundos e irreversíveis à estrutura dos fios.

Os pesquisadores analisaram cabelos naturais e quimicamente tratados, submetidos a temperaturas entre 30°C e 270°C. Utilizando técnicas avançadas de microscopia eletrônica, espectroscopia e raios X, foi possível observar, em tempo real, como o calor afeta o interior da fibra capilar.

Os resultados mostraram que o córtex, camada interna responsável pela resistência dos fios, sofre danos antes mesmo da cutícula, contrariando a percepção comum de que o desgaste começa apenas na superfície. A partir de 220°C, os cientistas identificaram o início da degradação da queratina, proteína essencial para a força e a estrutura do cabelo.

O estudo também constatou que os lipídios responsáveis pela hidratação e proteção dos fios perdem estabilidade com o aumento da temperatura e praticamente desaparecem acima de 260°C. Outro sinal de alerta é o odor forte percebido durante o uso da chapinha, associado à decomposição de aminoácidos ricos em enxofre, indicando danos significativos à fibra capilar.

Nos cabelos que passaram por descoloração e alisamento químico, os efeitos foram ainda mais severos. Essas fibras apresentaram menor resistência térmica, perda de organização estrutural e maior propensão à quebra.

Segundo os pesquisadores, as descobertas podem ajudar a indústria cosmética a desenvolver protetores térmicos mais eficientes e tratamentos menos agressivos. O estudo reforça a necessidade de moderação no uso de fontes intensas de calor e na combinação de procedimentos químicos, mesmo em cabelos considerados saudáveis.

Fonte: Agência SP
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