Morte de Mulher em Intervenção Policial na Zona Leste de SP Leva ao Afastamento de PM e Intensifica Investigação

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G1
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A Polícia Militar de São Paulo afastou de suas funções operacionais uma policial militar envolvida na ocorrência que resultou na morte de Thawanna da Silva Salmázio, de 29 anos, na madrugada da última sexta-feira (3) em Cidade Tiradentes, zona leste da capital. O incidente, que envolveu um disparo de arma de fogo durante uma abordagem, desencadeou uma série de protestos na comunidade e mobilizou as polícias Civil e Militar em uma investigação abrangente para esclarecer as circunstâncias do óbito.

A Versão Oficial da Polícia Militar sobre o Incidente

De acordo com o boletim de ocorrência registrado pelos policiais, a equipe realizava patrulhamento quando avistou um casal caminhando no meio da rua, braços entrelaçados. Em um momento que a viatura passava pelo local, o homem teria se desequilibrado e colidido seu braço no retrovisor do veículo. Os agentes relataram que retornaram para verificar a situação, momento em que o homem iniciou uma discussão e gritos, desobedecendo às ordens para se afastar.

Segundo o depoimento de uma das policiais envolvidas, Thawanna da Silva Salmázio, em comportamento exaltado, teria avançado sobre ela, invadindo seu espaço pessoal e desferindo tapas, incluindo um no rosto. A policial afirma ter tentado se defender e conter a agressão que culminou em um disparo de arma de fogo, atingindo Thawanna. A vítima foi socorrida ao Hospital Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos.

A Versão do Companheiro da Vítima Contesta Relato Policial

Em contraste com a narrativa policial, Luciano Gonçalves dos Santos, companheiro de Thawanna, apresentou uma versão que diverge significativamente dos fatos. Ele alegou que a viatura passou em alta velocidade, quase atingindo o casal, o que provocou a reação de sua esposa. Segundo Santos, uma policial teria descido do veículo e efetuado um disparo diretamente contra Thawanna. O companheiro ainda afirmou que, mesmo tentando demonstrar que não oferecia risco, ele foi alvo de spray de pimenta, e reiterou que Thawanna não apresentava comportamento agressivo.

Protestos e a Repercussão na Comunidade de Cidade Tiradentes

A morte de Thawanna da Silva Salmázio provocou uma onda de indignação e protestos na comunidade de Cidade Tiradentes. Moradores foram às ruas na mesma sexta-feira (3), montando barricadas com pneus incendiados para manifestar sua revolta contra a violência policial. A Polícia Militar interveio nos atos com o uso de armas de efeito moral para dispersar os grupos. Vídeos obtidos pela imprensa mostraram agentes avançando pelas ruas e apontando armas em direção às residências, intensificando a tensão entre a população e as forças de segurança.

Investigações em Múltiplas Esferas e o Posicionamento da SSP

As investigações sobre o caso estão sendo conduzidas de forma prioritária e abrangente. A policial envolvida foi afastada do serviço operacional, teve sua arma apreendida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e é alvo de um Inquérito Policial Militar (IPM) instaurado pela Corregedoria da Polícia Militar. Adicionalmente, a ocorrência foi registrada no 49º Distrito Policial e também encaminhada ao DHPP, que conduz uma investigação independente na esfera da Polícia Civil.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) lamentou profundamente a morte de Thawanna e informou que as imagens das câmeras corporais da equipe policial, assim como os laudos periciais, já foram integradas à investigação. A SSP reafirmou seu compromisso com a legalidade, a transparência e a proteção da vida, assegurando que não tolera desvios de conduta e que toda irregularidade será punida com rigor nas esferas administrativa e criminal. Neste momento, a Polícia Civil, com base nos depoimentos dos policiais, lavrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por indícios de resistência por parte dos envolvidos, mas ressalta que as circunstâncias do disparo e das lesões serão apuradas separadamente.

A elucidação dos fatos dependerá da análise de todas as provas, incluindo os registros das câmeras corporais e os laudos periciais, que são cruciais para confrontar as versões apresentadas e determinar as responsabilidades no trágico desfecho que tirou a vida de Thawanna da Silva Salmázio.

Fonte: https://g1.globo.com

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