Morte de Recém-Nascido em Hospital de SP Levanta Suspeitas de Negligência Durante Parto

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G1
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A morte de um recém-nascido três dias após o parto no Hospital Geral de São Mateus, em São Paulo, motivou o registro de um boletim de ocorrência por parte da família. Os parentes da jovem mãe, Melissa Araujo Costa, de 21 anos, acusam a unidade hospitalar de negligência tanto no manejo do trabalho de parto quanto nos cuidados prestados ao bebê. O caso, que aponta para um desfecho trágico após uma série de decisões contestadas, abriu um inquérito para apurar as circunstâncias do falecimento, enquanto o hospital manifestou pesar e informou que o ocorrido será analisado conforme seus protocolos.

O Início do Parto e os Primeiros Sinais de Alerta

Melissa, que estava com 40 semanas de gestação, deu entrada no Hospital Geral de São Mateus na manhã de 24 de março, já em trabalho de parto. Por volta das 9h30, exames de cardiotocografia foram realizados e indicaram um possível sofrimento fetal, revelando batimentos cardíacos fracos no bebê. Esse diagnóstico inicial deveria ter acendido um alerta crucial para a equipe médica e de enfermagem sobre a necessidade de monitoramento intensivo e decisões assertivas.

Controvérsia sobre a Indução do Parto Normal e Métodos Questionados

Apesar dos sinais de sofrimento fetal, a equipe de enfermagem do hospital optou por induzir o parto normal, utilizando medicamentos. A avó do bebê, Priscilla de Araújo Diamantino, relatou ao g1 que sua filha, Melissa, chegou a suplicar pela realização de uma cesariana devido às dores intensas, mas seu pedido foi ignorado pelos profissionais. Segundo a família, houve insistência no parto vaginal e a aplicação de métodos considerados invasivos, como a inserção manual na vagina e pressão para forçar o parto. A avó ainda afirma que as preocupações foram desconsideradas, com a alegação de que a paciente estaria “eufórica”.

A Virada do Plantão e a Urgência da Cesariana

A situação tomou um rumo diferente apenas com a troca de plantão, aproximadamente dez horas após a internação de Melissa. Por volta das 19h20, uma nova enfermeira teria identificado a necessidade imediata de uma cesariana de urgência. Um exame subsequente revelou a presença de líquido esverdeado, compatível com mecônio, nas primeiras fezes do bebê. A aspiração de mecônio, liberado ainda no útero, é um grave sinal de sofrimento fetal e pode causar sérias complicações respiratórias no recém-nascido. A cirurgia foi realizada logo em seguida, e o bebê precisou passar por um procedimento de aspiração imediatamente após o nascimento.

Do Pós-Parto à Luta Inútil na UTI Neonatal

Inicialmente, um pediatra do centro cirúrgico teria afirmado que o bebê estava bem. No entanto, a avó do recém-nascido, Priscilla, contestou essa avaliação, percebendo que Davi, como foi batizado, respirava com dificuldade. Após alertar uma enfermeira, outro médico interveio, aspirou o bebê novamente e o encaminhou à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. Apesar de todos os esforços da equipe médica, o pequeno Davi não resistiu e faleceu em 27 de março, apenas três dias após seu nascimento. A família foi informada de que o comprometimento dos pulmões do bebê era completo.

O Veredito do Atestado de Óbito e o Clamor por Justiça

A certidão de óbito de Davi detalhou as causas de sua morte, apontando insuficiência respiratória aguda, hipertensão pulmonar persistente, síndrome de aspiração meconial, aspiração de mecônio intraútero e infecção neonatal presumida. Para a família, essas conclusões reforçam a tese de negligência. Eles reiteram que o bebê era saudável e clamam por justiça, buscando entender o que consideram uma “monstruosidade” que teria vitimado o pequeno Davi, questionando as decisões tomadas ao longo do processo de parto.

A Posição do Hospital e da Secretaria de Saúde

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde, representando o Hospital Geral de São Mateus, lamentou profundamente o desfecho do caso. A instituição afirmou ter prestado acolhimento à família, oferecendo os esclarecimentos necessários sobre a assistência realizada e permanecendo à disposição para futuras informações. O hospital reiterou que a paciente foi acompanhada continuamente pela equipe e que, durante a evolução do quadro, uma intercorrência obstétrica foi identificada após a ruptura da bolsa, indicando a realização de uma cesariana – procedimento que, segundo a nota, foi adotado de forma imediata. A unidade ressaltou que, apesar dos esforços e das medidas adotadas, o recém-nascido, que inicialmente apresentava quadro estável, evoluiu para uma grave dificuldade respiratória, compatível com complicações neonatais de alta complexidade, sendo encaminhado à UTI neonatal. O hospital assegura que o caso será minuciosamente analisado conforme seus protocolos internos.

Diante das narrativas conflitantes e da dor irreparável da família, o caso de Davi segue sob investigação, com o boletim de ocorrência servindo como ponto de partida para a apuração das responsabilidades. A busca por respostas e justiça é o principal objetivo da família neste momento de luto e indignação, esperando que a análise interna do hospital e as investigações externas tragam clareza sobre o ocorrido e previnam futuros incidentes.

Fonte: https://g1.globo.com

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