Mulher declarada morta por engano em Bauru mostra recuperação, diz hospital

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G1
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Em um caso que chocou o interior paulista, Fernanda Policarpo, uma mulher de 29 anos atropelada em uma rodovia de Bauru, que foi inicialmente declarada morta pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e posteriormente reanimada por outro socorrista, apresentou sinais de recuperação neste último sábado (24). A notícia traz um alívio em meio à gravidade de um incidente que levantou sérias questões sobre os protocolos de atendimento de emergência. Fernanda Policarpo, internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base de Bauru (HBB), respondeu a estímulos pela primeira vez em uma semana, conforme boletim médico. Apesar da evolução, seu estado de saúde ainda exige cuidados rigorosos, mas o quadro é considerado estável. O caso, que mobilizou autoridades e a opinião pública, segue sob investigação, buscando esclarecer as circunstâncias que levaram à declaração equivocada de óbito.

Os fatos e o inacreditável resgate

O atropelamento e a declaração inicial de óbito

O drama de Fernanda Policarpo teve início na noite de domingo, 18 de fevereiro, na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Bauru. A jovem, de 29 anos, tentava atravessar a pista quando foi atingida por um veículo. Imediatamente após o acidente, a equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada para prestar socorro. Segundo o boletim de ocorrência, ao chegar ao local, a médica responsável pela equipe do Samu realizou os procedimentos de avaliação e, após uma análise inicial, atestou o óbito de Fernanda.

Diante da declaração de morte, a rodovia foi interditada para a realização da perícia, e o Instituto Médico Legal (IML) foi prontamente acionado para proceder com a remoção do corpo. A situação parecia resolvida, com a constatação oficial de um óbito e o início dos trâmites legais para um acidente fatal. Contudo, o que se seguiria minutos depois transformaria o cenário em um evento de repercussão nacional, expondo uma falha grave nos protocolos de emergência.

A descoberta dos sinais vitais e a reanimação

Pouco tempo depois de a equipe do Samu deixar o local, e com Fernanda já coberta por uma manta térmica sobre a pista – objeto frequentemente utilizado para velar corpos em acidentes fatais –, um médico da concessionária que administra a rodovia percebeu algo incomum. Ao se aproximar, o profissional notou movimentos respiratórios sutis na mulher, que havia sido dada como morta. A cena, por si só, era estarrecedora: Fernanda estava viva, apesar da declaração de óbito e dos procedimentos que se seguiam.

Sem hesitar, o socorrista da concessionária iniciou imediatamente as manobras de reanimação. A rápida percepção e ação do médico foram cruciais para reverter a situação. Após os primeiros socorros emergenciais na própria rodovia, a vítima foi rapidamente encaminhada ao Pronto-Socorro Central (PSC) de Bauru. Ela chegou à unidade em estado gravíssimo, mas a intervenção tardia, porém decisiva, havia concedido a ela uma segunda chance de vida. O incidente gerou um choque e indignação generalizada, levantando questionamentos urgentes sobre a qualidade do atendimento inicial e a precisão do diagnóstico de óbito.

Repercussão, investigações e afastamentos

As primeiras reações e o afastamento da médica

A notícia da mulher declarada morta por engano e posteriormente reanimada rapidamente se espalhou, gerando grande repercussão. Na segunda-feira (19), um dia após o incidente, a Prefeitura de Bauru, responsável pela gestão do Samu no município, manifestou-se sobre o ocorrido. A administração municipal informou que estava apurando detalhadamente os fatos relacionados ao atendimento prestado à Fernanda Policarpo. A prefeitura garantiu que, caso fossem constatadas quaisquer irregularidades ou falhas no protocolo, as devidas providências seriam adotadas, em conformidade com as normas e legislações vigentes para o serviço de emergência.

Paralelamente, a direção do Samu de Bauru tomou medidas administrativas. Foi aberta uma sindicância interna para investigar profundamente as possíveis falhas no atendimento da equipe. Como parte dos procedimentos investigativos e para assegurar a isenção da apuração, a médica que atestou o óbito de Fernanda foi temporariamente afastada de suas funções. No âmbito médico, Fernanda, após receber os primeiros cuidados no Pronto-Socorro Central, foi transferida para o Hospital de Base de Bauru (HBB), em virtude da gravidade de seu estado de saúde, e internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permanece desde então, sob cuidados intensivos e vigilância constante da equipe médica.

Evidências, testemunhas e o inquérito policial

Com o desenrolar do caso, novas evidências surgiram, intensificando a gravidade da situação. Na terça-feira (20), um vídeo feito por testemunhas que acompanhavam o atendimento na rodovia veio à tona. As imagens chocantes registraram o momento em que a equipe do Samu cobria Fernanda Policarpo com a manta térmica, um procedimento que se aplica apenas em casos de óbito. O vídeo adicionou uma camada crucial de prova visual às denúncias de erro no atendimento.

Na gravação, era possível ouvir vozes de populares alertando a equipe do Samu de que a vítima ainda apresentava sinais de vida. Na quarta-feira (21), uma das testemunhas que fez a filmagem conversou com a imprensa, reiterando seus esforços para alertar os socorristas. “Eu falei para o pessoal do resgate: ‘Gente, a mulher está viva, está respirando devagarzinho, mas ela está respirando. Ela está respirando de boa no saco’. Aí, o pessoal do resgate falou que o Samu já acionou o IML, que ela morreu. Nem eles acreditaram que o Samu deu um óbito para alguém vivo. Aí, desceram, foram ver e viram que estava viva”, relatou a testemunha, cuja versão corrobora a alegação de negligência.

Diante da gravidade dos fatos, a Polícia Civil de Bauru abriu um inquérito para investigar não apenas as circunstâncias do atropelamento, mas principalmente o socorro prestado à vítima. O delegado Eduardo Herrera informou que o inquérito, embora ainda sem tipificação específica, tem como objetivo apurar toda a dinâmica do caso, abrangendo desde o acidente em si até uma possível omissão de socorro e negligência médica por parte da equipe do Samu.

Ações do conselho médico e atualização do quadro

As investigações prosseguiram na quinta-feira (22) e sexta-feira (23), com o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) também se manifestando sobre o caso. O órgão abriu uma sindicância para apurar a conduta profissional da médica envolvida. De acordo com o conselho, a apuração correrá sob sigilo determinado por lei, e a identidade da profissional não foi divulgada publicamente até o momento. A atuação do Cremesp é fundamental para determinar se houve quebra de ética ou falha profissional que justifique sanções disciplinares.

Em relação ao estado de saúde de Fernanda Policarpo, o Hospital de Base de Bauru divulgou um boletim médico atualizado na sexta-feira (23). O relatório informava que, embora Fernanda seguisse internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e ainda necessitasse de ventilação mecânica, ela já respondia a estímulos da equipe médica e apresentava estabilidade clínica. A redução gradual dos sedativos era um sinal positivo, indicando uma evolução no seu quadro. No sábado (24), a confirmação de que ela respondeu a estímulos pela primeira vez em uma semana trouxe um fio de esperança. O caso continua sob investigação da Polícia Civil, da Prefeitura de Bauru (Samu) e do Cremesp, com as autoridades empenhadas em esclarecer todos os detalhes deste incidente singular e trágico.

Recuperação e desdobramentos futuros

O caso de Fernanda Policarpo representa um dos mais extraordinários exemplos de resiliência humana e de falhas sistêmicas no atendimento de emergência. A jovem, que foi literalmente dada como morta e coberta na rodovia, agora luta por sua vida na UTI, apresentando sinais animadores de recuperação. Sua capacidade de responder a estímulos, após dias de inconsciência, é um testemunho de sua força e da dedicação da equipe médica do Hospital de Base de Bauru. Contudo, a estabilidade clínica atual não diminui a gravidade do que aconteceu e a necessidade de respostas claras sobre a cadeia de eventos que levou a uma declaração de óbito tão equivocada.

As múltiplas investigações em curso — pela Polícia Civil, pela Prefeitura de Bauru e pelo Conselho Regional de Medicina — são essenciais para assegurar a responsabilização dos envolvidos e, mais importante, para prevenir que incidentes semelhantes se repitam. É imperativo que os protocolos de emergência sejam rigorosamente revisados e que a capacitação dos profissionais de saúde seja constantemente aprimorada, especialmente em situações de alta pressão e estresse. A sociedade aguarda ansiosamente pelos resultados dessas apurações, na esperança de que este episódio sirva como um catalisador para melhorias significativas nos serviços de atendimento pré-hospitalar. A jornada de recuperação de Fernanda Policarpo será longa, mas cada pequeno avanço é uma vitória contra as adversidades, e um lembrete da importância da vigilância e do cuidado em cada etapa do socorro.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quem é Fernanda Policarpo e qual o seu estado de saúde atual?
Fernanda Policarpo é uma mulher de 29 anos que foi vítima de um atropelamento na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), em Bauru. Após ser declarada morta por engano e reanimada, ela está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base de Bauru. Seu estado de saúde é considerado estável, e ela apresentou sinais de recuperação, respondendo a estímulos pela primeira vez em uma semana, embora ainda necessite de cuidados rigorosos e ventilação mecânica.

Como foi possível que Fernanda Policarpo fosse declarada morta por engano?
Segundo os relatos e investigações preliminares, após o atropelamento, uma médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que atendeu a ocorrência em Bauru atestou o óbito de Fernanda. Pouco tempo depois, um médico da concessionária que administra a rodovia percebeu que Fernanda, já coberta por uma manta térmica, ainda apresentava movimentos respiratórios, indicando que estava viva. As causas exatas do erro na declaração de óbito estão sendo investigadas.

Quais as consequências para os profissionais envolvidos no caso?
A médica do Samu que atestou o óbito de Fernanda foi temporariamente afastada de suas funções enquanto uma sindicância interna é conduzida pelo próprio Samu, vinculado à Prefeitura de Bauru. Além disso, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) abriu uma sindicância para apurar a conduta profissional da médica, e a Polícia Civil também investiga o caso, podendo tipificar crimes como omissão de socorro ou negligência médica, dependendo dos resultados das apurações.

Quais órgãos estão investigando o caso?
O caso está sob investigação de múltiplos órgãos. A Prefeitura de Bauru, responsável pelo Samu municipal, abriu uma sindicância interna. A Polícia Civil de Bauru instaurou um inquérito para apurar a dinâmica do atropelamento e o atendimento prestado. Por fim, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) também está conduzindo uma sindicância para avaliar a conduta da médica envolvida.

Acompanhe as atualizações sobre este caso e outros eventos importantes na região para se manter bem informado.

Fonte: https://g1.globo.com

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