Nova lei endurece punições para crimes sexuais online contra crianças e adolescentes

Mais proteção para crianças e adolescentes no ambiente digital.

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Highlights
  • Lei 15.487, ECA, inteligência artificial, deepfake, exploração sexual, aliciamento, internet, crimes hediondos, prisão preventiva, proteção infantil
Dra Marcela Paiva

Legislação amplia penas, fortalece investigações na internet, inclui crimes com inteligência artificial e reforça a proteção às vítimas.

Entrou em vigor nesta sexta-feira (7) a Lei nº 15.487, que amplia o combate aos crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes, especialmente aqueles praticados pela internet. A nova legislação altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Código Penal, o Código de Processo Penal, a Lei dos Crimes Hediondos e a Lei de Combate ao Crime Organizado, tornando mais rigorosas as investigações e as punições.

Entre as principais mudanças está a autorização para que órgãos de segurança realizem rondas virtuais em ambientes digitais públicos, sem necessidade de autorização judicial prévia, para identificar e preservar provas de crimes. A lei também fortalece a atuação de policiais infiltrados em investigações na internet.

Outro avanço é a inclusão explícita do uso de inteligência artificial, como deepfakes, filtros e outras tecnologias capazes de simular imagens ou vozes de crianças para aliciar vítimas ou produzir conteúdo de exploração sexual. O uso de ferramentas de anonimização digital, como mascaramento de IP e VPNs com finalidade criminosa, também passa a agravar a pena.

A legislação amplia ainda a definição de material de violência sexual infantil, incluindo conteúdos reais ou fictícios produzidos ou manipulados por inteligência artificial com conotação sexual.

Atendimento e proteção às vítimas

A nova norma garante atendimento psicológico e psicossocial especializado às vítimas e testemunhas, com acompanhamento contínuo e acolhimento em ambiente reservado no Sistema Único de Saúde (SUS). O agressor também será obrigado a ressarcir integralmente os custos do tratamento.

Crimes hediondos e prisão preventiva

A lei amplia o rol de crimes hediondos, incluindo condutas relacionadas à produção, venda, compartilhamento, armazenamento e exploração sexual infantil, além do aliciamento de menores. Também autoriza expressamente a prisão preventiva para investigados por crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes.

AgênciaModerna

Penas mais severas

As penas previstas no ECA foram endurecidas. Entre elas, destacam-se:

  • Produção e transmissão de conteúdo de violência sexual infantil: reclusão de 4 a 10 anos, além de multa;
  • Venda e divulgação desse material: reclusão de 4 a 10 anos, com aumento de pena quando praticadas pela internet;
  • Posse ou armazenamento de conteúdo: reclusão de 3 a 6 anos;
  • Produção de imagens falsas com IA ou deepfake: reclusão de 3 a 5 anos;
  • Aliciamento de menores de 14 anos: reclusão de 3 a 5 anos, com aumento de pena quando houver uso de inteligência artificial, perfis falsos, aplicativos de mensagens, redes sociais, jogos on-line ou relação de confiança.

Com a nova legislação, o governo busca reforçar a proteção de crianças e adolescentes diante do crescimento dos crimes praticados no ambiente digital, ampliando os instrumentos de investigação e tornando mais rigorosa a responsabilização dos autores.

Fonte: ABN

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