Nunes: São Paulo acolherá venezuelanos com carinho, mas espera redução do fluxo

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O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), abordou recentemente o tema da migração venezuelana para a capital paulista, expressando a expectativa de uma diminuição no fluxo de pessoas após a suposta captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Durante uma coletiva de imprensa, Nunes salientou que, embora espere que os venezuelanos não precisem mais buscar refúgio fora de seu país, a cidade de São Paulo está preparada para acolher a todos com carinho. A metrópole, que atualmente dispõe de 27 mil vagas em seus abrigos – com 21 mil já ocupadas –, reafirma seu compromisso humanitário diante dos desafios do cenário migratório. A declaração do prefeito reflete a complexidade da situação e o papel da capital paulista na recepção de imigrantes e refugiados.

Declaração do prefeito e a questão da dignidade humana

Ricardo Nunes, em suas declarações, manifestou a esperança de que a situação política na Venezuela se estabilize após o que ele descreveu como a captura de Nicolás Maduro. Segundo Nunes, Maduro estaria exercendo a Presidência de forma ilegítima, tendo fraudado eleições, o que resultou na fuga de mais de 8 milhões de venezuelanos de seu país. “Agora que foi capturado o ditador Nicolás Maduro, que estava exercendo a Presidência de forma ilegítima, porque ele fraudou as eleições e tiveram mais de 8 milhões de venezuelanos que tiveram que fugir do seu país, a gente espera que com essa situação do afastamento dele diminua a necessidade de que as pessoas fujam”, afirmou o prefeito. Ele complementou que, caso a necessidade de migração persista, “a cidade de São Paulo vai receber a todos com muito carinho, como sempre fez”.

Perspectivas sobre o cenário político venezuelano

A declaração do prefeito ocorreu durante uma coletiva de imprensa realizada após a entrega de títulos de regularização fundiária urbana, com a presença do governador em exercício Felicio Ramuth. Nunes também levantou um ponto crucial sobre o direito internacional, argumentando que, em situações extremas, um direito fundamental – o da dignidade humana – deveria prevalecer. Ele questionou a validade do direito internacional em cenários de eleições fraudulentas, de uma população empobrecida e de milhões de pessoas forçadas a abandonar seu país. “Que direito internacional você pode avocar quando você tem uma situação de uma eleição fraudada, de alguém que coloca 90% da população em estado de pobreza? Quando você tem um estado que expulsa 8 milhões de venezuelanos? Quer dizer, é muita demagogia”, enfatizou, citando relatos de venezuelanos que pedem para que pessoas não opinem sobre uma realidade que não vivenciaram.

Acolhimento em São Paulo: capacidade e desafios

A Prefeitura de São Paulo tem desempenhado um papel ativo no acolhimento de imigrantes e refugiados, incluindo a população venezuelana. A rede assistencial do município oferece suporte a essa parcela da população, apesar dos desafios impostos pelo fluxo migratório contínuo.

Rede de assistência municipal

Atualmente, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) informa que 1.009 imigrantes venezuelanos estão sendo acolhidos na rede assistencial de São Paulo. Esses indivíduos são abrigados em centros de acolhida exclusivos para estrangeiros, nas Vilas Reencontro e em outros equipamentos da administração municipal. Além do alojamento, a prefeitura se empenha em oferecer uma gama de serviços essenciais, como orientação para a regularização migratória, acesso a direitos sociais e inclusão social. O Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (CRAI) Oriana Jara, localizado na região central, é uma peça fundamental nesse processo, tendo atendido 1.538 cidadãos vindos da Venezuela no ano de 2025 (sic).

Um caso notável é o do Centro de Acolhida Especial para Famílias (CAEF) Ebenezer, que abriga 157 imigrantes, incluindo cinco famílias venezuelanas. Após uma decisão inicial da prefeitura em dezembro do ano passado de encerrar suas atividades, a intervenção da Defensoria Pública e uma liminar da Justiça de São Paulo reverteram a situação. O CAEF Ebenezer segue em funcionamento normal. A secretaria explicou que a entrada de novos usuários está sendo planejada para otimizar a rede socioassistencial, buscando adequar a oferta de vagas a novos modelos de acolhimento, como as Vilas Reencontro, que visam promover maior autonomia para as famílias assistidas.

O papel das organizações da sociedade civil

Organizações da sociedade civil na capital paulista são parceiras cruciais no acolhimento de refugiados e imigrantes. A Missão Paz, instituição localizada no bairro da Liberdade, no Centro, é uma das entidades que se preparam para possíveis cenários futuros. O padre Paolo Parise, atuante na Missão Paz, participou de uma reunião para discutir a possibilidade de um novo aumento na chegada de refugiados. Ele descreveu a situação como um “cenário de contingência”, ressaltando a imprevisibilidade do fluxo migratório – que pode manter-se estável (cerca de 700 pessoas entrando em Roraima por dia vindas da Venezuela), aumentar ou até mesmo gerar um fluxo de retorno. A Missão Paz, que já atendeu dezenas de famílias venezuelanas por dia no auge da crise, oferece alimentação, orientação e encaminhamento para serviços básicos e trabalho.

Outra organização vital é a Cáritas, braço social da Igreja Católica. O padre Marcelo Maróstica Quadro, vice-diretor da Cáritas, expressou preocupação com a potencial chegada de um novo fluxo migratório, alertando para a falta de infraestrutura do país para acolher um grande número de venezuelanos. Ele destacou que muitas organizações fecharam seus projetos e não há vagas específicas para migrantes e refugiados. A Operação Acolhida, criada em 2018 para receber venezuelanos, foi em grande parte desmontada, restando apenas algumas ações pontuais em Roraima, o que agrava o contexto de preocupação.

Perspectivas futuras e o compromisso de São Paulo

O cenário da migração venezuelana para o Brasil, e especificamente para São Paulo, permanece dinâmico e complexo. As declarações do prefeito Ricardo Nunes refletem a dualidade entre a esperança de uma redução no fluxo e a preparação contínua da capital paulista para garantir o acolhimento digno aos que chegarem. A cidade, por meio de sua rede de assistência e em parceria com organizações da sociedade civil, reafirma seu compromisso com a dignidade humana, buscando oferecer não apenas abrigo, mas também oportunidades de integração e acesso a direitos. Os desafios de infraestrutura e a necessidade de políticas públicas robustas persistem, exigindo atenção constante e coordenação entre os diferentes níveis de governo e a sociedade civil para assegurar uma resposta eficaz a esta crise humanitária em evolução.

Perguntas frequentes sobre o acolhimento de venezuelanos em São Paulo

Qual a posição do prefeito Ricardo Nunes sobre a migração venezuelana?
O prefeito Ricardo Nunes espera que a migração venezuelana para São Paulo diminua, em função da suposta captura do presidente Nicolás Maduro. No entanto, ele afirmou que, se necessário, a cidade está preparada para receber todos os venezuelanos “com muito carinho”.

Quantos venezuelanos são atualmente acolhidos pela Prefeitura de São Paulo?
De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, a Prefeitura de São Paulo acolhe atualmente 1.009 imigrantes venezuelanos em sua rede assistencial, que inclui centros de acolhida exclusivos, Vilas Reencontro e outros equipamentos.

Quais são os principais desafios no acolhimento de imigrantes venezuelanos em São Paulo?
Os principais desafios incluem a imprevisibilidade do fluxo migratório, a necessidade de mais infraestrutura e abrigos adequados, a carência de vagas específicas para migrantes e refugiados, e o desmonte de programas como a Operação Acolhida, conforme apontado por organizações da sociedade civil.

O Centro de Acolhida Ebenezer permanece em funcionamento?
Sim, o Centro de Acolhida Especial para Famílias (CAEF) Ebenezer, que acolhe 157 imigrantes, incluindo famílias venezuelanas, permanece em funcionamento. Uma decisão judicial reverteu a intenção inicial da prefeitura de encerrar suas atividades.

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