O poder das histórias em quadrinhos no debate racial em sala de aula

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© Jean Barreto/ Divulgação
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Fã de histórias em quadrinhos (HQ) desde a infância, a doutoranda e professora Fernanda Pereira da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Mídia e Cotidiano da Universidade Federal Fluminense (UFF), realizou um estudo que demonstra como as graphic novels podem promover reflexões sobre questões étnico-raciais na formação de futuros professores do Curso Normal, fortalecendo a educação antirracista.

O poder das graphic novels como ferramenta educacional

As graphic novels são histórias em quadrinhos com enredos completos, imagens detalhadas e textos extensos. Acredita-se que essas obras têm o poder de atrair as pessoas para discussões sobre questões raciais, sendo uma ferramenta valiosa para promover a reflexão e o debate nesse sentido.

A importância do estudo de Fernanda Pereira da Silva

Durante seu doutorado, Fernanda decidiu investigar como as graphic novels poderiam contribuir para o diálogo racial na formação inicial de professores do ensino fundamental. Sua pesquisa foi motivada pela percepção da relevância de abordar a educação antirracista desde a base, incentivando futuros educadores a continuarem o debate ao longo de suas carreiras.

Resultados do trabalho de campo

Fernanda conduziu um estudo no Colégio Estadual Júlia Kubitschek com alunos do segundo ano do ensino médio, em que a maioria (95%) era composta por estudantes negros. Ela observou que as escolas abordam o tema do racismo apenas em novembro, durante o mês da Consciência Negra, deixando de discuti-lo ao longo do ano, apesar de relatos de situações racistas vivenciadas pelos alunos diariamente.

Desafios na implementação da Lei 10.639/2003

Pesquisas indicam que a Lei 10.639/2003, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas, não é cumprida em 71% dos municípios brasileiros. Muitos professores evitam abordar o tema do racismo por considerá-lo polêmico e desafiador, apesar de ser parte fundamental da história do país.

Ação interventiva e preparação dos futuros professores

Através de seu trabalho de campo, Fernanda procurou preparar os futuros professores para lidar com questões raciais em sala de aula. Sua abordagem incluiu a introdução de elementos das graphic novels, como a história da escritora Carolina Maria de Jesus, para estimular a discussão sobre a educação antirracista entre os estudantes.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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