Data lembrada nesta quarta-feira (19) destaca desafios enfrentados por mulheres lésbicas e reivindicações por atendimento de saúde, direitos reprodutivos e trabalho digno.
O Dia Nacional do Orgulho Lésbico, celebrado nesta quarta-feira (19), reforça a luta contra a lesbofobia e por direitos das mulheres lésbicas no Brasil. Entre as principais reivindicações estão o acesso à saúde integral, direitos reprodutivos, reconhecimento de famílias e melhores condições no mercado de trabalho.
Dados do LesboCenso Nacional, divulgado em 2022, apontam que quase oito em cada dez mulheres lésbicas entrevistadas relataram diferentes formas de violência. O levantamento foi realizado pela Liga Brasileira de Lésbicas e pela Coturno de Vênus.
Na área da saúde, a assistente social Michele Seixas, da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL), defende a capacitação de profissionais do SUS para atender às especificidades dessa população. Ela também reivindica que a orientação sexual seja registrada obrigatoriamente durante a anamnese, como forma de contribuir para um atendimento adequado.
Outro ponto destacado é o acesso aos direitos reprodutivos. Segundo a ativista, lésbicas ainda enfrentam dificuldades para acessar serviços de reprodução humana e constituir famílias, especialmente aquelas com menor poder aquisitivo.
Na assistência social, a falta de reconhecimento de famílias lésbico-afetivas também é apontada como um obstáculo para o acesso a políticas públicas.
O mercado de trabalho é outro desafio. Segundo Michele, mulheres que não seguem padrões tradicionais de feminilidade podem enfrentar maior exclusão em processos seletivos e no ambiente profissional. Ela também chama atenção para a sobreposição entre lesbofobia e racismo, que pode ampliar a vulnerabilidade de mulheres lésbicas negras.

A falta de estatísticas oficiais específicas é apontada como outro problema. O movimento utiliza levantamentos independentes, como o LesboCenso e o Dossiê do Lesbocídio, enquanto a segunda fase do mapeamento nacional está em andamento.
Apesar dos desafios, houve avanços relacionados à comunidade LGBTQIA+, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção por casais homoafetivos. Para Michele, porém, ainda faltam conquistas específicas voltadas exclusivamente às mulheres lésbicas.
Denúncias
Casos de violência ou violações de direitos contra pessoas LGBTQIA+ podem ser denunciados pelo Disque 100, serviço que funciona 24 horas por dia. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
Fonte: ABN



