Mais de 27 milhões de peruanos foram às urnas neste domingo para decidir quem comandará o país pelos próximos anos. A eleição presidencial coloca frente a frente a candidata conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, em uma disputa marcada pela polarização e pela incerteza.
O cenário eleitoral reflete a profunda crise institucional que atinge o Peru. Desde 2016, o país passou por sucessivas trocas de governo, com presidentes destituídos, renúncias e confrontos constantes entre o Executivo e o Congresso, considerado por muitos analistas como o principal centro de poder da nação.
Keiko Fujimori tenta retornar ao Palácio do Governo carregando o legado político do pai, o ex-presidente Alberto Fujimori. Ao mesmo tempo em que herda uma base eleitoral fiel, enfrenta forte rejeição por causa das denúncias e condenações associadas ao antigo governo.
Do outro lado, Roberto Sánchez busca mobilizar os eleitores ligados ao ex-presidente Pedro Castillo e aos setores rurais e indígenas do país. Entre suas propostas estão reformas sociais e mudanças na Constituição peruana.
Especialistas avaliam que uma vitória de Fujimori pode fortalecer o alinhamento do Peru com governos conservadores da América Latina e com os Estados Unidos. Já Sánchez tende a adotar uma postura mais pragmática, concentrando esforços na governabilidade diante de um Congresso historicamente hostil.
A eleição acontece em meio a um histórico recente de turbulência política. O último presidente a concluir integralmente um mandato foi Ollanta Humala, que governou entre 2011 e 2016. Desde então, o Peru vive uma sequência de crises que transformaram a estabilidade institucional em um dos principais desafios do país.
Fonte: ABN



