Um estudo brasileiro reforça o avanço da medicina de precisão no combate ao câncer de pulmão, o tipo mais comum e letal da doença no mundo. A pesquisa, conduzida por cientistas do Hospital de Amor com apoio da FAPESP, identificou que mutações no gene TP53 podem influenciar diretamente o prognóstico e a resposta ao tratamento dos pacientes.
O trabalho analisou amostras tumorais de 1.131 pacientes atendidos em unidades de Barretos (SP) e Porto Velho (RO), representando todas as regiões do país. Os resultados mostraram que 88% dos pacientes apresentavam alterações genéticas relevantes, com destaque para os genes TP53, KRAS, EGFR e ALK.
Os pesquisadores observaram que pacientes com mutações no TP53 tiveram pior evolução clínica, especialmente aqueles que também apresentavam alterações no gene EGFR, normalmente tratados com terapias-alvo. A descoberta pode ajudar médicos a personalizar ainda mais os tratamentos e selecionar pacientes para novos ensaios clínicos.
O estudo também revelou que mutações no TP53 foram mais frequentes em indivíduos com maior ancestralidade africana. Considerado o “guardião do genoma”, esse gene desempenha papel fundamental na reparação do DNA e na eliminação de células defeituosas.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que o acesso a testes genéticos ainda é limitado no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo os pesquisadores, ampliar a realização desses exames pode melhorar a escolha dos tratamentos e evitar terapias menos eficazes e mais custosas.
Fonte: Agência Fapesp




