
Pinguim-de-Sobrancelha-Branca (Pygoscelis papua)
Foto: sergioueda / iNaturalist
Os pinguins da Antártica estão mudando o período de reprodução. Um estudo realizado ao longo de dez anos revela que três espécies passaram a iniciar esse ciclo cada vez mais cedo, em uma resposta considerada uma das mais rápidas já registradas entre os animais diante das mudanças climáticas.
A pesquisa acompanhou 37 colônias na Península Antártica e em ilhas subantárticas entre 2012 e 2022. Utilizando 77 câmeras automáticas, os cientistas observaram que os pinguins-de-Adélia e os pinguins-de-barbicha anteciparam a reprodução em cerca de dez dias por década. Já os pinguins-gentoo apresentaram uma mudança ainda maior, de aproximadamente treze dias por década.
Os registros também indicam que as áreas onde vivem essas colônias estão aquecendo em ritmo quatro vezes superior à média do continente antártico. Para os pesquisadores, esse aquecimento está diretamente relacionado à alteração do calendário reprodutivo.
O estudo destaca que essa adaptação figura entre as mudanças fenológicas mais rápidas já observadas na fauna. Entre as aves, o pinguim-gentoo apresentou a resposta mais acelerada às alterações do clima.
Apesar de todas as espécies anteciparem a reprodução, elas não respondem da mesma forma às novas condições ambientais. O pinguim-gentoo possui maior capacidade de adaptação por apresentar dieta variada e permanecer próximo às colônias durante todo o ano. Já os pinguins-de-Adélia e os pinguins-de-barbicha dependem mais do gelo marinho e do krill, tornando-se mais vulneráveis às transformações do ambiente.

Os cientistas alertam que essa mudança pode aumentar a competição por espaço e alimento entre as espécies. Ainda assim, não há evidências suficientes para afirmar se a antecipação da reprodução aumenta ou reduz o sucesso reprodutivo dos pinguins.
A pesquisa reforça que os efeitos das mudanças climáticas já são percebidos no comportamento da fauna antártica e evidencia a necessidade de monitoramento contínuo para compreender os impactos sobre a biodiversidade nas próximas décadas.
Imagem de um Pinguim-de-Adélia (Pygoscelis adeliae)
Foto: alanvannorman / iNaturalist
Fonte: G1





