
Analistas apontam que sistema brasileiro de pagamentos amplia a autonomia financeira do país e estaria entre os fatores que motivaram críticas do governo norte-americano.
O sistema de pagamentos instantâneos Pix passou a integrar as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo economistas e especialistas em relações internacionais ouvidos pela Agência Brasil, a medida tem motivações predominantemente geopolíticas e reflete a preocupação de Washington com o avanço da autonomia financeira do Brasil.
Na avaliação dos analistas, o Pix reduziu a dependência de plataformas internacionais de pagamento e fortaleceu a soberania econômica brasileira ao ampliar a inclusão financeira e modernizar as transações eletrônicas. Para o professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Maicon Cláudio da Silva, o sistema representa uma diminuição da influência dos Estados Unidos sobre a infraestrutura financeira do país.
Especialistas destacam ainda que o Pix não prejudicou o mercado de cartões. Pelo contrário, em 2025, as operações com cartões movimentaram R$ 4,5 trilhões, crescimento de 10,1%, impulsionado pela expansão dos meios digitais de pagamento.
O professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG), Ronaldo Carmona, afirma que o Pix fortalece a soberania financeira brasileira e favorece transações internacionais em moedas locais, reduzindo a dependência do dólar. Segundo ele, o Banco Central já mantém acordos de cooperação com dezenas de países interessados em desenvolver sistemas semelhantes.
Os especialistas também observam que plataformas nacionais dificultam a aplicação de sanções financeiras por governos estrangeiros, ao contrário de sistemas sediados nos Estados Unidos, que seguem determinações da Casa Branca.
O debate sobre soberania financeira não se restringe ao Brasil. A União Europeia também anunciou o desenvolvimento do Euro Digital, iniciativa apresentada como estratégia para reduzir a dependência de redes internacionais de pagamento e ampliar a autonomia do bloco.

Professor de geopolítica da Escola Superior de Guerra (ESG),
Ronaldo Carmon fiz que Pix se tornou instrumento de poder do Brasil
Foto: Sindicato dos Bancários da Bahia
Fonte: ABN




