Planeta 23 vezes mais massivo que a Terra intriga cientistas

Um gigante rochoso que desafia a ciência.

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GJ 523b tem 23,5 vezes a massa terrestre, mas apenas 2,5 vezes o diâmetro; densidade e provável composição rochosa desafiam modelos de formação planetária

Astrônomos confirmaram a existência do GJ 523b, um exoplaneta com 23,5 vezes a massa da Terra, mas apenas 2,5 vezes o seu diâmetro. A combinação faz do planeta uma rara “mega-Terra” e levanta dúvidas sobre como um mundo tão massivo conseguiu permanecer predominantemente rochoso.

O estudo foi divulgado pela Universidade de Wisconsin-Madison e ainda está em processo de revisão por pares. O planeta tem cerca de 60% do diâmetro de Netuno, mas, ao contrário do que seria esperado para um corpo com essa massa, aparentemente não possui uma espessa atmosfera de hidrogênio e hélio.

Por que o planeta é tão denso?

Planetas com núcleos entre 10 e 20 vezes a massa da Terra normalmente conseguem atrair grandes quantidades de gás durante sua formação. Por isso, os pesquisadores esperavam encontrar uma atmosfera muito mais espessa no GJ 523b.

Uma das hipóteses é que o planeta tenha perdido grande parte da atmosfera ao longo de sua evolução. O intenso aquecimento, impactos gigantescos ou acontecimentos turbulentos no início do sistema também podem ter contribuído para a perda dos gases.

Outra possibilidade é que o planeta tenha se formado em uma região com pouca disponibilidade de gás.

Sistema é muito jovem

O sistema GJ 523 teria apenas 170 milhões de anos, uma idade extremamente pequena quando comparada aos cerca de 4,54 bilhões de anos da Terra.

O planeta também apresenta uma órbita considerada incomum. Os pesquisadores estimam uma inclinação de pelo menos 71 graus em relação à rotação da estrela, o que pode indicar migração ou algum evento violento durante sua formação.

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Como o planeta foi descoberto?

A primeira pista veio do TESS, telescópio espacial da NASA, que detectou pequenas quedas periódicas no brilho da estrela causadas pela passagem do planeta à sua frente.

Para determinar a massa do GJ 523b, os astrônomos utilizaram o espectrógrafo NEID e observações do telescópio WIYN. Dados dos observatórios Gemini Norte e Palomar também contribuíram para a análise.

Com mais de 6 mil exoplanetas confirmados, os cientistas ainda têm poucos exemplos de mega-Terras. O GJ 523b pode ajudar a entender por que alguns mundos extremamente massivos permanecem rochosos enquanto outros desenvolvem enormes atmosferas gasosas.

Fonte: IG Notícias

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