O acidente vascular cerebral (AVC) segue como uma das maiores ameaças à saúde dos brasileiros. Em 2024, a doença provocou mais de 106 mil mortes no país, tornando-se a segunda principal causa de óbitos, segundo dados do DataSUS. Além disso, é a maior responsável por incapacidades: sete em cada dez sobreviventes não conseguem retornar ao trabalho, enquanto metade passa a depender de cuidados permanentes.
Diante desse cenário, um estudo internacional trouxe uma notícia promissora. Pesquisadores de 61 centros em 12 países, entre eles a Faculdade de Medicina da Unesp, em Botucatu, avaliaram a eficácia de uma polipílula composta por três medicamentos anti-hipertensivos já conhecidos: telmisartana, anlodipino e indapamida, administrados em baixas doses em um único comprimido.
O ensaio clínico TRIDENT acompanhou 1.670 pacientes que haviam sofrido AVC hemorrágico. Após cinco anos de monitoramento, os resultados mostraram que a estratégia reduziu em 39% o risco de novos episódios da doença. Entre os pacientes que utilizaram a polipílula, apenas 4,6% tiveram recorrência do AVC, contra 7,4% no grupo placebo.
Segundo o neurologista Rodrigo Bazan, um dos responsáveis pelo estudo no Brasil, o principal diferencial está na praticidade do tratamento. Com apenas um comprimido ao dia, a adesão alcançou 86%, índice considerado elevado para terapias de longo prazo.
Os pesquisadores destacam que controlar a pressão arterial abaixo de 13 por 9 é essencial para prevenir novos AVCs e outros eventos cardiovasculares, como o infarto. O estudo, publicado no prestigiado The New England Journal of Medicine, reforça que inovação também pode surgir da combinação inteligente de medicamentos já disponíveis.
Com a chegada do inverno, especialistas fazem um alerta adicional: as baixas temperaturas podem elevar em até 20% a incidência de AVC. Por isso, manter a hidratação, praticar atividades físicas e monitorar regularmente a pressão arterial são atitudes fundamentais para proteger a saúde
Fonte: Agência SP


