
No Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, especialistas destacam a importância de preparar cidades para enfrentar chuvas intensas, secas, inundações e ondas de calor.
O Brasil precisa deixar de priorizar a resposta às tragédias e investir mais na prevenção de desastres. A recomendação de especialistas em conservação da natureza e adaptação climática ganha destaque nesta terça-feira (13), Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A estratégia inclui mapear áreas vulneráveis, aprimorar sistemas de alerta, investir em drenagem e contenção de encostas e preparar serviços essenciais, como hospitais, escolas, estradas e redes de abastecimento de água e energia, para situações extremas.
Rafael Loyola, diretor da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e integrante da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, afirma que o país ainda trata como inesperados riscos conhecidos e recorrentes. Segundo ele, o Brasil gasta mais de três vezes com resposta e reconstrução do que com prevenção, considerando os níveis federal, estadual e municipal.
Adaptação precisa considerar cada região
A preparação para eventos extremos exige medidas adaptadas às características e vulnerabilidades de cada território. André Ferretti, gerente sênior de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, defende a integração entre diferentes áreas, como meio ambiente, saúde, educação, agropecuária e infraestrutura, com participação dos governos e da sociedade.
Uma das ferramentas citadas é a plataforma Natureza ON, desenvolvida pela Fundação Grupo Boticário em parceria com o MapBiomas e com tecnologia Google Cloud. O sistema permite consultar informações sobre riscos de inundações, deslizamentos e segurança hídrica, além de apresentar soluções baseadas na natureza.
Áreas verdes ajudam a proteger as cidades
A retirada da vegetação, a impermeabilização do solo e a ocupação de margens de rios e nascentes aumentam a vulnerabilidade urbana aos eventos extremos.

De acordo com Juliana Baladelli Ribeiro, gerente de Projetos da Fundação Grupo Boticário, recuperar áreas verdes, preservar nascentes, criar parques e ampliar superfícies permeáveis são medidas que ajudam a controlar a erosão, estabilizar encostas e reduzir os efeitos das altas temperaturas e do excesso de água.
Os especialistas alertam que o planejamento urbano precisa incorporar os riscos climáticos desde o início. Sem essa consideração, obras e investimentos podem não proteger adequadamente a população e ainda ampliar a vulnerabilidade das cidades.
Fonte: ABN



