Aos quase 80 anos, atriz retorna aos palcos ao lado da filha, mas escolha de peça com trama de assassinato e esquartejamento provoca questionamentos.
A escolha do texto e o retorno da atriz aos palcos, desta vez ao lado da filha, provocam questionamentos e contrastam com uma trajetória marcada por grandes personagens.
Sempre tive uma admiração imensa por Regina Duarte e por sua trajetória na televisão. Lembro de Malu Mulher, de sua marcante interpretação em Roque Santeiro, como Porcina, e de Helena, em Por Amor. Essa é a Regina Duarte que permanece na memória de muitos brasileiros: uma atriz talentosa, com personagens que atravessaram gerações.
Todos nós erramos. Regina também tomou decisões controversas, inclusive ao aceitar o convite para comandar a Secretaria Especial da Cultura no governo de Jair Bolsonaro, experiência que durou pouco e terminou de maneira conturbada.
Agora, aos quase 80 anos, Regina decidiu voltar aos palcos ao lado da filha. O que chama atenção, porém, é a escolha do texto.
A peça apresenta a história de uma mulher que mata o marido, esquarteja o corpo e o coloca dentro de uma mala para tentar se livrar das evidências. A escolha é, no mínimo, desconfortável, especialmente porque remete a um caso real de grande repercussão no Brasil: o assassinato de Marcos Matsunaga, morto e esquartejado pela esposa, Elize Matsunaga, em 2012. O caso posteriormente ganhou uma série documental.

Não se trata de questionar o direito de Regina Duarte de escolher os papéis que deseja interpretar. O ponto é outro: depois de uma carreira tão extensa e de tantos personagens memoráveis, é difícil compreender a escolha de um texto que dialoga tão diretamente com um crime que ainda permanece vivo na memória do público.
A volta de Regina aos palcos poderia representar um reencontro celebrado com a arte e com uma legião de admiradores. Por isso mesmo, a escolha dessa peça causa estranhamento e deixa uma sensação de oportunidade perdida.
Fonte: IG Notícias



