Restauração da Catedral Metropolitana de Ribeirão Preto deve durar quatro anos

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G1
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A Catedral Metropolitana de São Sebastião, um dos mais emblemáticos patrimônios históricos e religiosos de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, passa por um complexo processo de restauração que tem previsão de conclusão em quatro anos. O prédio centenário, localizado na região central da cidade, começou a ser restaurado em 1º de dezembro do ano passado, após apresentar sinais significativos de desgaste estrutural. A iniciativa visa preservar a integridade arquitetônica e cultural do templo, que é um marco para a fé e para a identidade ribeirão-pretana. Atualmente, os trabalhos concentram-se na fundação da Catedral, uma etapa crucial para garantir a estabilidade do edifício. O pároco Francisco Jaber Zanardo Moussa estima que esta fase inicial, de alta complexidade, deverá se estender por, no mínimo, um ano, preparando o terreno para as intervenções subsequentes que revitalizarão completamente a estrutura.

A complexa obra de restauração da Catedral de São Sebastião

A restauração da Catedral Metropolitana de São Sebastião é uma empreitada ambiciosa e necessária para salvaguardar um dos símbolos mais importantes de Ribeirão Preto. A deterioração natural, acentuada pela idade avançada do edifício e pelas características de sua construção original, impôs a urgência de uma intervenção profunda.

Desafios estruturais e fases iniciais

Construída entre 1904 e 1918, a Catedral foi erguida sob padrões estruturais diferentes dos utilizados atualmente. Suas fundações consistiam em pedras mais largas que a própria estrutura, atingindo no máximo dois metros de profundidade, sem as vigas e estacas modernas que alcançam camadas mais estáveis do solo. Com o passar do tempo, o crescimento urbano acelerado, o intenso tráfego no entorno e a ação natural dos elementos contribuíram para o surgimento e agravamento de rachaduras na edificação.

Os trabalhos iniciais, iniciados em dezembro, focam na base da igreja, com a colocação de suportes e a realização de acertos no terreno abaixo da estrutura. Essa fase primordial busca compensar a fragilidade da fundação e evitar o colapso do templo. Em 19 de dezembro, as obras foram temporariamente suspensas após técnicos detectarem uma movimentação preocupante na estrutura da torre, que intensificou as fissuras já existentes. Essa paralisação momentânea, inclusive, fez com que a tradicional Missa do Galo fosse celebrada em outro local, o centro social da paróquia. Apenas a etapa de intervenção nas fundações está orçada em R$ 2 milhões, representando uma parte significativa do custo total estimado em R$ 14 milhões para a recuperação completa do templo. A complexidade dessa fase inicial é um testemunho da seriedade dos problemas estruturais enfrentados pela centenária construção.

A continuidade das atividades e o patrimônio histórico

Apesar da magnitude da obra, a gestão da Catedral está empenhada em manter suas portas abertas para os fiéis, garantindo a continuidade das celebrações e a preservação do acesso a esse importante espaço de fé e cultura.

Reabertura para fiéis e etapas futuras

Após a interrupção temporária devido aos problemas na torre, a Catedral de São Sebastião reabriu suas portas em 6 de janeiro e não deve fechar novamente ao longo de todo o processo de restauração. A comunidade religiosa poderá continuar a participar das missas e atividades, inclusive em datas importantes como a Páscoa, que será celebrada em meio aos trabalhos de restauro. O pároco informou que as atividades eclesiásticas estão ocorrendo normalmente, sem prejuízo para os frequentadores.

Além da intervenção na fundação, o projeto de restauração prevê a substituição do telhado, uma etapa crucial para proteger o interior do prédio contra infiltrações e danos climáticos. A previsão é que as obras no telhado comecem após o período de chuvas, em abril, após a finalização do orçamento para essa fase específica. Durante o Dia de São Sebastião, padroeiro de Ribeirão Preto, celebrado em 20 de janeiro, a Catedral sediou três missas solenes – às 7h30, às 12h e às 18h30, esta última seguida de procissão – além de um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento às 16h30, demonstrando a vitalidade da fé mesmo em meio às intervenções.

Um legado arquitetônico e cultural para Ribeirão Preto

A Catedral Metropolitana de São Sebastião é muito mais do que um local de culto; é um verdadeiro cartão-postal de Ribeirão Preto e um patrimônio do estado. Sua construção, projetada pelo arquiteto sueco Carlos Ekman em estilo neogótico, ocorreu entre 1904 e 1918, contando com o apoio e a contribuição da própria população.

Ao longo dos anos, o interior da igreja foi enriquecido por obras de arte de grande valor. O artista plástico Benedito Calixto deixou sua marca com pinturas que retratam a vida de São Sebastião, enquanto a cúpula foi colorida por Nicolau Biagini e os afrescos laterais foram produzidos por Joaquim d’Athaide. Em 1958, a Catedral foi elevada à condição de Arquidiocese de Ribeirão Preto, passando a congregar paróquias de vinte cidades da região. Seu reconhecimento oficial como patrimônio veio com o tombamento pelo Conselho de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural de Ribeirão Preto (Conpacc) em 2009, e posteriormente, em 2014, pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat), consolidando sua importância como referência religiosa, artística e cultural.

A devoção a São Sebastião: história e significado

A figura de São Sebastião, padroeiro da Catedral e de Ribeirão Preto, possui uma história de fé, martírio e proteção que ecoa através dos séculos, atribuindo ainda mais significado ao templo que leva seu nome.

O martírio e a proteção do padroeiro

A história de São Sebastião remonta à França, onde nasceu. Tornou-se soldado romano e, apesar da perseguição aos cristãos na época, foi um fervoroso defensor da fé cristã e da família católica. Sua devoção secreta foi descoberta pelo imperador Diocleciano, um dos mais cruéis de seu tempo, que, ao saber que um capitão de seu exército era cristão, ordenou sua execução.

Sebastião foi martirizado, flechado e dado como morto, com a intenção de ter seu corpo jogado em uma vala. No entanto, uma mulher que passava pelo local o encontrou agonizando e o resgatou, cuidando de seus ferimentos em segredo. Recuperado, Sebastião, com inabalável fé, retornou para confrontar o imperador, denunciando suas crueldades. Em resposta, Diocleciano ordenou que ele fosse novamente atacado, desta vez com bolas de chumbo, o que o levou à morte.

O primeiro milagre atribuído a São Sebastião ocorreu quando seu corpo passou por Roma, cidade então assolada por uma grande peste que afetava não apenas as pessoas, mas também as lavouras e plantações. Após a passagem de seus restos mortais, a peste cessou, as pessoas foram curadas e a terra, recuperada. Por esse feito, São Sebastião tornou-se o santo protetor da agropecuária e do campo, mas sua intercessão é invocada também contra pestes, epidemias, fome, guerras, tempestades e doenças em animais, consolidando sua imagem como um defensor da vida e da prosperidade.

Perspectivas e legado da restauração

A completa restauração da Catedral Metropolitana de São Sebastião representa um compromisso inegociável com a preservação da história, da fé e da cultura de Ribeirão Preto. Com um prazo de quatro anos para sua conclusão, a obra não é apenas uma intervenção estrutural, mas um ato de salvaguarda de um monumento que testemunhou e participou ativamente da trajetória da cidade. Ao estabilizar suas fundações, modernizar sua infraestrutura e revitalizar sua beleza artística, a Catedral reafirma seu papel como um centro espiritual vibrante e um ícone arquitetônico para as futuras gerações. A comunidade, que acompanhou a construção original e agora se mobiliza em torno de sua recuperação, aguarda a entrega de uma Catedral renovada, que continuará a ser um farol de fé e um ponto de encontro para a população, perpetuando o legado de São Sebastião.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Qual o prazo estimado para a conclusão total da restauração da Catedral Metropolitana de São Sebastião?
A previsão atual para a conclusão completa da restauração da Catedral é de quatro anos, a partir do início das obras em 1º de dezembro do ano passado.

2. A Catedral permanecerá aberta para os fiéis durante todas as fases da obra?
Sim, após uma breve interrupção em dezembro, a Catedral reabriu em 6 de janeiro e permanecerá aberta para missas e atividades religiosas durante todo o período de restauração, sem prejuízo para os frequentadores.

3. Qual o custo total estimado para a restauração completa da Catedral?
O custo total estimado para a recuperação completa do templo é de R$ 14 milhões, sendo que a primeira fase, focada nas fundações, está orçada em R$ 2 milhões.

4. Quais foram as principais razões para a necessidade da restauração da Catedral?
A necessidade da restauração deve-se a sinais de desgaste natural, fragilidade das fundações originais (construídas com padrões antigos), e o surgimento de rachaduras devido ao tempo, crescimento urbano e tráfego intenso no entorno.

5. Quem foi o arquiteto responsável pelo projeto original da Catedral?
A Catedral Metropolitana de São Sebastião foi projetada pelo arquiteto sueco Carlos Ekman e construída entre 1904 e 1918.

Para acompanhar de perto o progresso das obras e as novidades sobre a Catedral Metropolitana de São Sebastião, fique atento às atualizações locais e participe da vida da comunidade.

Fonte: https://g1.globo.com

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