A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL), foi hospitalizada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas em São Paulo. A internação ocorre para investigação de um quadro infeccioso, com a ministra apresentando evolução clínica favorável, ao mesmo tempo em que se prepara para deixar o cargo e concorrer à reeleição como deputada federal por São Paulo.
Internação e Evolução Clínica da Ministra
Sônia Guajajara deu entrada no InCor após manifestar mal-estar, febre alta e dor abdominal, sintomas que levaram à suspeita de um quadro infeccioso. Desde sua admissão, a ministra tem apresentado uma melhora progressiva, com estabilização dos sinais vitais e redução dos sintomas. Ela permanece sob observação médica, realizando exames complementares e recebendo acompanhamento especializado. O tratamento está sendo conduzido pelo cardiologista Sérgio Timerman e pelo infectologista Rinaldo Focaccia Siciliano, embora uma previsão de alta ainda não tenha sido divulgada.
Transição Política e Candidatura à Reeleição
Em meio à sua recuperação, Sônia Guajajara já havia anunciado sua intenção de deixar o comando do Ministério dos Povos Indígenas. A previsão é que seu último dia à frente da pasta seja 30 de março, com o objetivo de disputar a reeleição para deputada federal por São Paulo. Eloy Terena, atual secretário-executivo e número dois do ministério, é o nome cotado para assumir interinamente a liderança da pasta, garantindo a continuidade das políticas indigenistas.
O Legado e os Desafios do Ministério dos Povos Indígenas
Criado em janeiro de 2023, no início do terceiro governo Lula, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) representou um compromisso presidencial de elevar a questão indigenista ao mais alto escalão do Executivo. O objetivo central é assegurar os direitos constitucionais de 1,7 milhão de pessoas pertencentes a 305 etnias, gerenciando diretamente as políticas de demarcação e proteção de povos isolados. Sônia Guajajara, em sua gestão, destacou a retomada da demarcação de terras indígenas, a desintrusão de invasores de territórios ancestrais e a centralidade que a pauta indígena ganhou no debate público e nas políticas governamentais como os principais legados de sua atuação.
A ministra também abordou os desafios enfrentados, incluindo o complexo embate jurídico sobre o 'marco temporal', que colocou em lados opostos o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional, e as tensões internas com o próprio movimento indígena em alguns momentos.
Avanços Notáveis nas Demarcações de Terras Indígenas
Um dos pontos altos da gestão de Sônia Guajajara foi o significativo avanço nas políticas territoriais. Em apenas três anos, o ministério homologou 20 terras indígenas, um número que supera as 11 homologações registradas em toda a década anterior. Este balanço reflete um esforço concentrado para reverter um histórico de estagnação e garantir a proteção desses territórios fundamentais.
Cronologia das Homologações
A retomada das demarcações teve um cronograma bem definido, iniciando em 2023 com a oficialização de oito áreas em abril e setembro, localizadas em estados como Acre, Alagoas, Rio Grande do Sul, Ceará, Amazonas e Goiás. O processo continuou em 2024, com a homologação de mais cinco territórios entre abril e dezembro, abrangendo Mato Grosso, Bahia, Pará e Santa Catarina. Em 2025, o Ceará recebeu três novas áreas em agosto, durante a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas, e outras quatro foram homologadas em novembro, no contexto da COP 30, em Belém, beneficiando os estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso.
Perspectivas Futuras para a Ministra e a Pauta Indígena
A internação de Sônia Guajajara adiciona um elemento de urgência à sua transição política. Enquanto sua saúde se estabiliza, o cenário para o Ministério dos Povos Indígenas se desenha com a expectativa da ascensão de Eloy Terena, assegurando a continuidade de uma gestão focada nos direitos e na proteção dos povos originários. A futura candidatura de Guajajara, por sua vez, promete manter a pauta indígena em destaque no Congresso Nacional, consolidando a voz e as demandas dessas comunidades no panorama político brasileiro.
Fonte: https://g1.globo.com



