“Super El Niño” pode provocar secas, enchentes e calor extremo na América Latina

Preparação hoje para enfrentar os extremos de amanhã.

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Árvore caída em São Paulo após ventania: no Brasil, El Niño provoca clima de extremos em agosto, com calor atípico e ciclone
Highlights
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Dra Marcela Paiva

Cientistas projetam um dos episódios mais intensos das últimas décadas, com riscos para agricultura, energia e abastecimento de água.

A América Latina se prepara para os possíveis efeitos de um El Niño de intensidade excepcional. Cientistas avaliam que o fenômeno de 2026 pode estar entre os mais fortes já registrados desde o início das medições, na década de 1950.

Segundo o Centro de Previsões Climáticas dos Estados Unidos (CPC), havia 81% de probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. A combinação de alterações nos ventos, no oceano e na atmosfera contribui para o fortalecimento do fenômeno.

O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico tropical ficam mais quentes que a média. Quando o aquecimento é intenso, seus efeitos sobre o clima podem incluir ondas de calor, secas prolongadas e chuvas torrenciais.

Impactos na América do Sul

Peru e Equador estão entre as áreas mais vulneráveis. O chamado El Niño costeiro pode provocar chuvas intensas, enchentes e deslizamentos, além de prejudicar a pesca devido ao aquecimento do oceano.

Partes do Peru e da Bolívia podem enfrentar secas severas, com impactos sobre a agricultura. Colômbia, Venezuela e norte do Brasil também estão entre as regiões com possibilidade de redução das chuvas e da vazão dos rios, o que pode afetar a produção de alimentos e a geração de energia hidrelétrica.

No Sul do Brasil, Uruguai, Paraguai, norte da Argentina e Chile, a tendência é de aumento das chuvas. Embora a maior disponibilidade de água possa beneficiar a agricultura, o excesso pode provocar enchentes e prejuízos.

No Brasil, a expectativa é de temperaturas acima da média em grande parte do território. O Sul pode registrar mais temporais, ventos fortes, granizo e alagamentos. Sudeste e Centro-Oeste tendem a enfrentar calor e baixa umidade, enquanto Norte e Nordeste podem ter redução das chuvas e maior risco de queimadas.

Risco também na América Central

México e países da América Central também devem enfrentar impactos importantes. O México pode registrar tempestades mais intensas no norte, além de calor e secas em outras áreas.

No chamado corredor seco, que inclui Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua, a previsão aponta para temperaturas elevadas e menor disponibilidade de água. Caribe, Costa Rica e Panamá também podem enfrentar condições mais secas e ondas de calor.

A temporada de furacões também pode sofrer alterações. Enquanto o El Niño tende a reduzir a formação de ciclones no Atlântico, pode favorecer tempestades mais fortes no Pacífico, aumentando os riscos para o México e a América Central.

Governos adotam medidas preventivas

Diante das previsões, governos latino-americanos começaram a anunciar ações de preparação.

AgênciaModerna

No Peru, o governo anunciou desassoreamento de rios, construção de defesas ribeirinhas, proteção de bacias hidrográficas e sistemas de resposta rápida para garantir alimentos, água e medicamentos em áreas vulneráveis.

Na Colômbia, o governo prevê investimentos em infraestrutura, proteção de reservatórios e medidas para reduzir o risco de racionamento de energia diante de possíveis secas.

No México, foram anunciados sistemas de alerta para celulares, postos de comando nos estados e ações como limpeza de rios e represas e instalação de barreiras.

Bolívia e Equador também estudam planos de emergência para enfrentar possíveis eventos extremos.

Especialistas alertam que a preparação da população será fundamental. Além das medidas governamentais, moradores de áreas vulneráveis são orientados a conhecer os riscos locais e manter planos para períodos de calor extremo, falta de água, enchentes ou interrupções no fornecimento de alimentos e energia.

Imagem da Nasa mostrando, em vermelho, o aquecimento

das águas do oceano Pacífico perto da linha do Equador

Fonte: BBC

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