
Presidente americano contestou a escolha de Navanethem Pillay, reconhecida por sua atuação em defesa dos direitos humanos e da justiça internacional.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou a escolha da jurista sul-africana Navanethem Pillay para receber o Prêmio Nobel da Paz de 2026. Em um evento de campanha em Syracuse, no estado de Nova York, nesta sexta-feira (9), o republicano afirmou que os Estados Unidos, representados por ele, deveriam ter recebido a honraria.
Trump voltou a alegar que encerrou oito guerras durante seu governo e destacou sua atuação na libertação de reféns mantidos pelo Hamas na Faixa de Gaza. Sem apresentar novas evidências para sustentar todas as afirmações, classificou a escolha do comitê como uma decisão vergonhosa e acusou os responsáveis pela premiação de terem desacreditado o Nobel.
O presidente também criticou a Noruega, embora o prêmio seja concedido por um comitê independente, e não pelo governo norueguês. No ano passado, Trump já havia demonstrado insatisfação após a oposição venezuelana María Corina Machado receber a honraria e dedicar simbolicamente o reconhecimento a ele.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aliado de Trump, também contestou a escolha. Em uma publicação na rede social X, afirmou que o comitê perdeu sua bússola moral e acusou Pillay de propagar alegações contra Israel.
A jurista, de 85 anos, foi reconhecida por sua trajetória na defesa dos direitos humanos, da paz e do direito internacional. Durante o apartheid sul-africano, atuou como advogada contra o regime segregacionista. Entre 2008 e 2014, ocupou o cargo de alta-comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Pillay também foi juíza do Tribunal Penal Internacional para Ruanda, onde contribuiu para o reconhecimento da violência sexual como instrumento de genocídio e crime de guerra. Mais recentemente, liderou uma comissão da ONU que investigou violações de direitos humanos em Israel e nos territórios palestinos, incluindo acusações de genocídio na Faixa de Gaza.

A escolha foi celebrada por organizações de direitos humanos e representantes internacionais. O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, destacou a importância do prêmio em um período de ataques aos direitos fundamentais. Já a secretária-geral da Anistia Internacional, Agnes Callamard, considerou a homenagem especialmente significativa diante das pressões contra a justiça internacional.
Fonte: IG Notícias



