Redução da participação dos EUA em exercícios militares com a Coreia do Sul gera temor sobre a segurança regional e a força da aliança entre Washington e Seul
A decisão de Donald Trump de reduzir substancialmente a participação dos Estados Unidos nos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul provocou preocupação entre especialistas e aliados. As manobras Ulchi Freedom Shield, iniciadas na segunda-feira (17), têm duração prevista de 11 dias.
Trump afirmou que os exercícios são caros e que a presença americana poderia enviar à Coreia do Norte um sinal hostil. Segundo o presidente, o líder norte-coreano Kim Jong-un teria reagido positivamente à possibilidade de retomada do diálogo.
A decisão, porém, ocorre em meio ao avanço do programa militar de Pyongyang e à aproximação entre Kim e a Rússia. Especialistas avaliam que a redução dos exercícios pode prejudicar a coordenação militar entre Washington e Seul e transmitir uma percepção de enfraquecimento do compromisso americano com seus aliados asiáticos.
Para o professor Leif-Eric Easley, da Universidade Feminina Ewha, em Seul, a economia obtida com a redução das manobras seria pequena diante dos possíveis custos estratégicos. Ele também afirma que não há sinais de interesse de Pyongyang em negociar o abandono de seu arsenal nuclear.
A decisão também repercutiu em outros países da região. Japão, Taiwan e Filipinas acompanham o movimento, enquanto a China observa o impacto sobre o equilíbrio estratégico no Pacífico.
Na Coreia do Sul, o governo do presidente Lee Jae Myung afirmou que continuará trabalhando em conjunto com Washington para manter uma postura de defesa sólida. Lee também defendeu o fortalecimento das capacidades militares do país.

Nos Estados Unidos, parlamentares de partidos diferentes criticaram a medida. O senador democrata Jack Reed afirmou que Kim Jong-un obteve uma vantagem propagandística. Já o republicano Thom Tillis alertou para possíveis benefícios à Rússia.
Apesar da abertura para o diálogo, especialistas consideram limitadas as chances de uma mudança imediata na postura de Pyongyang. Com o apoio crescente de Rússia e China, Kim Jong-un estaria hoje em uma posição estratégica mais confortável do que durante as negociações com Trump em 2019.
Fonte: IG Notícias



