Um dos maiores projetos de urbanização já anunciados para uma comunidade da capital paulista promete transformar o Complexo Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. A Prefeitura prevê investir R$ 1,6 bilhão em obras de habitação, saneamento, mobilidade urbana, educação, saúde e infraestrutura, utilizando recursos obtidos com a venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) da Operação Urbana Consorciada Faria Lima.
O plano abrange Paraisópolis, Porto Seguro e Jardim Colombo e inclui a construção de novas moradias, canalização dos córregos Antonico e Itararé, ampliação da rede viária, implantação de uma UPA 24 horas, escolas, creches, equipamentos culturais e esportivos, além de melhorias em unidades de saúde.
Apesar da expectativa de avanços para uma das maiores comunidades da cidade, o projeto também reacendeu uma preocupação histórica dos moradores: o risco de remoções. Lideranças comunitárias afirmam que não está prevista uma retirada em massa de famílias, mas reconhecem que intervenções pontuais serão necessárias para a abertura de vias e instalação de equipamentos públicos.
Segundo o projeto, 43 lotes deverão ser desapropriados para obras viárias, habitação e novos serviços públicos. As lideranças locais defendem que qualquer remoção ocorra com o menor impacto possível para os moradores que construíram suas vidas na região.
O debate ganhou ainda mais relevância após o incêndio de grandes proporções que atingiu a comunidade Travinhas nesta quinta-feira (18), deixando pelo menos 150 famílias desalojadas. O episódio voltou a expor a vulnerabilidade habitacional da região e reforçou cobranças por soluções definitivas para áreas consideradas de risco.
Moradores também demonstram cautela por experiências anteriores envolvendo obras públicas, especialmente as intervenções no Córrego Antonico, que resultaram em remoções e questionamentos sobre indenizações. Ainda assim, lideranças reconhecem a importância dos investimentos e defendem maior participação popular nas decisões, com reuniões e consultas públicas realizadas em horários acessíveis à população trabalhadora.
A expectativa é que o programa represente uma mudança estrutural para Paraisópolis, ampliando o acesso a serviços essenciais e melhorando a qualidade de vida de milhares de famílias.
Fonte: G1





