
Estudo de fase 3 com mais de 1.100 pacientes aponta resultados promissores da combinação de vacina de mRNA com imunoterapia. Empresas esperam lançar o tratamento em 2027.
Uma vacina personalizada contra o câncer desenvolvida pelas farmacêuticas Moderna e MSD reduziu em 42% o risco de morte ou recorrência do melanoma, tipo mais agressivo de câncer de pele. O resultado foi divulgado pelas empresas nesta quinta-feira (22), com base em um estudo clínico de fase 3 que envolveu mais de 1.100 pacientes.
A pesquisa também apontou uma redução de 38% no risco de metástase ou recorrência da doença com a combinação da vacina e do medicamento imunoterápico Keytruda.
Batizada de intismeran autogene, a vacina utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) e é desenvolvida individualmente, a partir das mutações genéticas identificadas no tumor de cada paciente. Diferentemente das vacinas tradicionais, que previnem doenças infecciosas, o tratamento busca combater um câncer já diagnosticado.
Os resultados são considerados promissores porque indicam que a estratégia pode ajudar o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerosas de maneira direcionada.
“Isso é altamente significativo do ponto de vista estatístico. Não é por acaso”, afirmou o oncologista Hussein Tawbi, um dos investigadores do estudo no MD Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas.
Como funciona o tratamento
O desenvolvimento da vacina começa com a análise de uma amostra do tumor retirado durante a cirurgia. O material genético é sequenciado para identificar mutações específicas do câncer.
Com essas informações, os pesquisadores produzem uma molécula de mRNA com instruções para reconhecer até 34 alvos tumorais. Após a aplicação, o organismo passa a produzir essas estruturas, estimulando as defesas imunológicas a identificar e atacar células cancerosas que apresentam as mesmas mutações.
O Keytruda atua de forma complementar, bloqueando um mecanismo utilizado pelos tumores para escapar da ação do sistema imunológico. Assim, a vacina ajuda a direcionar a resposta de defesa, enquanto o medicamento favorece a atuação das células imunológicas contra o câncer.

Expectativa de lançamento em 2027
As empresas se preparam para solicitar a aprovação do tratamento nos Estados Unidos. Segundo o presidente-executivo da Moderna, Stéphane Bancel, a expectativa é que a vacina chegue ao mercado em 2027.
Os resultados completos do estudo serão apresentados no congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO), em Madri, neste sábado (24).
Até a publicação da reportagem original, não havia confirmação sobre uma eventual solicitação de aprovação à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para disponibilizar o tratamento no Brasil.
Apesar dos resultados positivos, a vacina ainda depende das etapas regulatórias necessárias antes de ser disponibilizada como tratamento aprovado.
Fonte: G1



