Vice-Prefeito de Colina Atira em Professor de Jiu-Jitsu: O Que Se Sabe Sobre o Grave Incidente em SP

7 Tempo de Leitura
G1
Anuncio Agentes de IA – Jornal Digital da Região

A cidade de Colina, no interior de São Paulo, é palco de uma grave investigação envolvendo o vice-prefeito Rafael Corrêa Rodrigues, conhecido como Rafael Maringá (PP), que se apresentou à Polícia Civil alegando legítima defesa após atirar contra Marcos Aurélio Abe, advogado e professor de jiu-jitsu. A vítima, de 45 anos, foi atingida no tórax e se encontra internada em estado grave na Santa Casa de Barretos, mobilizando as autoridades e a comunidade local. O incidente, ocorrido no último domingo (8), levanta questões sobre os motivos e as circunstâncias que culminaram no disparo.

O Incidente na Noite de Domingo

O confronto que resultou no ferimento grave de Marcos Aurélio Abe teve início na noite de domingo, no Jardim Universal. Segundo o boletim de ocorrência, Marcos teria chegado em um carro branco, portando uma arma falsa, nas imediações da residência de Rafael Maringá, onde o vice-prefeito confraternizava com familiares. A polícia relata que uma discussão irrompeu entre os dois homens. Durante o desentendimento, Rafael teria efetuado um disparo que atingiu Marcos Aurélio no tórax, causando uma perfuração no pulmão. Imediatamente após ser ferido, a vítima recebeu os primeiros socorros de populares e foi encaminhada ao pronto-socorro de Colina. Dada a gravidade de seu quadro clínico, ele foi prontamente transferido para a Santa Casa de Barretos. A Polícia Militar foi acionada para preservar o local do crime, onde manchas de sangue foram encontradas no banco do motorista do veículo da vítima, fundamentais para as etapas subsequentes da investigação.

As Partes Envolvidas no Conflito

Este caso coloca em evidência dois personagens com perfis distintos, cujas trajetórias se cruzam de maneira trágica, aparentemente por questões de ordem pessoal que antecederam o fatídico domingo.

A Vítima: Marcos Aurélio Abe

Marcos Aurélio Abe, de 45 anos, é reconhecido na comunidade como advogado e professor de jiu-jitsu. Informações contidas no boletim de ocorrência, corroboradas por testemunhas, indicam que Marcos foi casado com uma cunhada de Rafael Corrêa Rodrigues. Contudo, pessoas próximas a Marcos Aurélio sustentam que ele ainda mantinha um relacionamento amoroso com essa mulher e que, inclusive, os dois haviam comparecido juntos a uma missa no mesmo dia do incidente. Essa complexa relação amorosa é apontada como um dos possíveis catalisadores para a visita de Marcos à casa do vice-prefeito, motivada por uma alegada dificuldade de comunicação telefônica com a mulher.

O Suspeito: Rafael Corrêa Rodrigues, o Rafael Maringá

Rafael Corrêa Rodrigues, mais conhecido como Rafael Maringá, ocupa o cargo de vice-prefeito de Colina desde sua eleição em 2024, integrando a chapa liderada pelo prefeito Valdemir Antonio Moralles. Além de suas atribuições como vice-prefeito, Rafael também desempenha a função de Secretário de Cultura da cidade, acumulando experiência política anterior como vereador e presidente da Câmara Municipal. Seu histórico, no entanto, registra um incidente prévio: em julho do mesmo ano, Rafael foi suspeito de agredir o vigilante de um velório, conforme consta em um boletim de ocorrência registrado como lesão corporal, evidenciando um histórico de envolvimento em desentendimentos.

Versões Opostas: Legítima Defesa e Alegações Adicionais

Após o disparo, Rafael Maringá compareceu à Delegacia Seccional de Barretos acompanhado de seus advogados, prestando depoimento em que alegou ter agido em legítima defesa. De acordo com seu advogado, Edson Garcia, o vice-prefeito relatou ter discutido com Marcos Aurélio, que insistia em entrar em sua residência pelo portão. Rafael teria atirado ao ter a impressão de que a vítima estava armada, o que, somado à arma falsa encontrada no carro da vítima, reforça sua versão. O próprio vice-prefeito entregou uma arma que pode ter sido utilizada no disparo, para que seja periciada. Por outro lado, Najlah Paro Rajab, que se identificou como cunhada da namorada de Marcos Aurélio, apresentou uma versão divergente em entrevista à EPTV. Ela afirmou que testemunhas do incidente relataram que o vice-prefeito teria atirado antes mesmo que houvesse uma discussão, contestando a narrativa da legítima defesa iniciada por uma altercação verbal prolongada.

Andamento das Investigações da Polícia Civil

A Polícia Civil está intensificando as investigações para esclarecer todos os detalhes do caso. Até o momento, o depoimento do vice-prefeito Rafael Maringá já foi colhido, assim como o de cinco testemunhas-chave, na terça-feira (10). Para consolidar as conclusões do inquérito policial, as autoridades aguardam a obtenção de imagens de câmeras de segurança, que podem oferecer uma perspectiva visual dos eventos, e os laudos da perícia. A análise forense do local, da arma entregue pelo vice-prefeito e do estado da vítima será crucial para determinar a dinâmica exata dos fatos e a validade das alegações de legítima defesa.

Posicionamento da Prefeitura de Colina

Diante da repercussão do caso, a Prefeitura de Colina emitiu uma nota oficial. No comunicado, o órgão municipal informou que a situação é de natureza estritamente pessoal, desenvolvendo-se no âmbito privado. A prefeitura enfatizou que o ocorrido não possui qualquer relação com a gestão administrativa da cidade ou com as atividades inerentes ao poder público, buscando delimitar o episódio como um conflito individual e não institucional.

A investigação prossegue, e a Polícia Civil continua a coletar evidências e depoimentos para elucidar completamente as circunstâncias que levaram ao grave ferimento de Marcos Aurélio Abe. Enquanto o professor de jiu-jitsu luta pela vida na UTI, a comunidade de Colina aguarda ansiosamente por respostas e pela conclusão do inquérito que determinará o futuro legal do vice-prefeito Rafael Maringá.

Fonte: https://g1.globo.com

Compartilhe está notícia