A trágica morte de Renata Yassu Nakama, que completaria 27 anos, após uma queda de um ônibus em movimento em São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, expõe um drama familiar em busca de justiça e apoio. A jovem, que deixou dois filhos pequenos, é o centro de uma disputa legal onde a família cobra auxílio da Prefeitura e da empresa Sancetur, responsável pelo transporte público local, alegando descumprimento de uma decisão judicial provisória. O caso, marcado por versões conflitantes e a necessidade urgente de amparo para as crianças, continua a gerar desdobramentos.
O Impacto da Tragédia na Vida dos Filhos e Pais
Renata Yassu Nakama faleceu dias após o grave acidente, deixando para trás dois filhos que agora estão sob os cuidados dos avós. O pai da vítima, Sérgio Yassu Nakama, expressa a profunda preocupação com o bem-estar das crianças, que necessitam de acompanhamento psicológico diante da perda da mãe. Contudo, a família enfrenta dificuldades financeiras para arcar com os custos desses tratamentos, adicionando uma camada de urgência ao pleito por suporte.
Liminar Concedida, Auxílio Atrasado
Em uma decisão liminar proferida no início de fevereiro, a Justiça determinou que a Sancetur e a Prefeitura de São Sebastião pagassem uma pensão mensal aos filhos de Renata, estipulada em valor equivalente a 2,4 salários mínimos. O magistrado responsável ressaltou, à época, o caráter provisório da medida, sujeita a revisão ou revogação a qualquer momento. Entretanto, a defesa da família alega que, até o momento, a decisão judicial não tem sido plenamente cumprida, deixando os menores desamparados.
Embora a Sancetur tenha declarado ter efetuado o depósito da sua parte em juízo, e a Prefeitura também tenha afirmado ter realizado um depósito nos autos do processo, a assistência efetiva aos dependentes da vítima ainda não se concretizou. A controvérsia sobre o cumprimento da liminar é um ponto central na batalha legal travada pelos familiares.
Reconstruindo o Acidente: Diferentes Versões
O acidente fatal ocorreu em 2 de janeiro. Imagens inéditas do ocorrido, às quais a TV Vanguarda teve acesso em 10 de janeiro, mostram Renata embarcando em um ônibus lotado por volta das 12h15 e se apoiando próximo a uma janela, segurando uma barra de apoio. Cerca de oito minutos depois, a estrutura da janela começou a se deslocar. Aproximadamente um minuto após esse deslocamento, enquanto o veículo fazia uma curva, a janela se desprendeu completamente e Renata caiu do coletivo, na altura da Praia das Cigarras. Ela chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu três dias depois.
A versão inicial do motorista, conforme registro da Polícia Militar, sugeria que a jovem teria “decidido por conta própria pular a grade e ocupar o local não destinado para passageiro”, afirmando ainda que o ônibus operava dentro do limite de 77 passageiros. Contudo, a advogada da família, Gabriella Prado, contesta veementemente essa narrativa. Segundo ela, as imagens demonstram que o motorista tinha ciência da posição de Renata no veículo, não a impediu e continuou a viagem, culminando na queda devido a uma “falha estrutural” da janela, e não por imprudência da passageira.
Posicionamento dos Envolvidos e a Busca por Respostas
A Prefeitura de São Sebastião informou estar acompanhando de perto o desenrolar do caso, solicitando todas as informações pertinentes à concessionária de transporte. Além disso, a administração municipal realizou vistorias na garagem da empresa para inspecionar o ônibus envolvido no acidente, garantindo que as circunstâncias da tragédia continuam sob apuração. Quanto à pensão alimentícia, o município reiterou ter efetuado o depósito devido.
Por outro lado, a empresa Sancetur, responsável pelo transporte coletivo no município, optou por não se manifestar diretamente aos questionamentos da reportagem sobre o acidente e o cumprimento integral da decisão judicial de pensão. A ausência de uma resposta clara por parte da concessionária contribui para a incerteza e a angústia da família de Renata, que segue aguardando uma solução definitiva para o amparo dos filhos da vítima.
Um Futuro Incerto para os Filhos de Renata
O caso de Renata Yassu Nakama permanece como um triste lembrete da fragilidade da vida e da importância do suporte em momentos de extrema dor. Enquanto as autoridades investigam as causas do acidente e a justiça busca garantir o mínimo de amparo aos órfãos, a família segue sua luta contra o luto e as dificuldades financeiras. O desenrolar dessa história não é apenas sobre a apuração de responsabilidades, mas sobre a garantia de um futuro digno para as duas crianças que perderam a mãe em circunstâncias tão dramáticas.
Fonte: https://g1.globo.com



