Um estudo divulgado pela presidência da COP30 e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) revela que 66% das cidades brasileiras não possuem planos estruturados para lidar com ondas de calor ou estão apenas começando a desenvolver estratégias de adaptação.
O levantamento analisou 53 municípios e expõe um cenário preocupante. Embora 93% dos gestores públicos reconheçam que o calor extremo é um problema relevante, e 68% o apontem entre os três maiores desafios locais, a maioria das cidades ainda enfrenta dificuldades para transformar essa preocupação em ações concretas.
A pesquisa mostra que 75% dos municípios não utilizam dados de forma organizada para orientar decisões sobre o tema. Além disso, 85% dependem de recursos externos para implantar medidas de adaptação climática.
As iniciativas mais comuns estão ligadas à ampliação de áreas verdes. Arborização urbana, parques, espaços sombreados e telhados verdes já estão presentes em 77% das cidades pesquisadas. Por outro lado, soluções estruturais voltadas ao resfriamento urbano, como pavimentos permeáveis, isolamento térmico e materiais que refletem o calor, ainda são raras.
Especialistas alertam que o calor extremo deixou de ser apenas um desconforto sazonal e passou a representar uma ameaça crescente à saúde pública. Segundo a pesquisa, cerca de 500 mil pessoas morrem anualmente no mundo em decorrência de eventos relacionados ao calor excessivo.
No Brasil, entre 2000 e 2020, as ondas de calor estiveram associadas a aproximadamente 50 mil mortes em regiões metropolitanas, superando inclusive o número de vítimas provocadas por enchentes e deslizamentos no mesmo período.
A preocupação aumenta diante da possibilidade de formação de um Super El Niño na segunda metade de 2026. De acordo com especialistas, o fenômeno poderá intensificar secas e incêndios no Norte e Nordeste, ampliar as ondas de calor no Centro do país e provocar chuvas extremas na Região Sul.
O alerta está dado: enquanto as temperaturas sobem, cidades brasileiras correm contra o tempo para se adaptar a uma realidade climática cada vez mais desafiadora.



