A carne produzida em laboratório deixou de ser um conceito futurista para ganhar espaço nas pesquisas brasileiras. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) está desenvolvendo tecnologias capazes de produzir carne cultivada sem a necessidade de abate animal e com potencial para reduzir os impactos ambientais associados à pecuária tradicional.
Os estudos são conduzidos pela Embrapa Suínos e Aves, em Santa Catarina, e pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO), em Brasília. Os pesquisadores já produziram protótipos de filé de peito de frango e alimentos impressos em 3D à base vegetal, como salmão, caviar e anéis de lula.
A técnica utiliza pequenas amostras de células retiradas de animais vivos, que são cultivadas em laboratório em ambientes ricos em nutrientes e oxigênio para se multiplicarem. Com apoio da engenharia de tecidos e da biotecnologia celular, as células são organizadas em estruturas que reproduzem as características da carne convencional, incluindo textura e firmeza.
Outro diferencial é o uso de biomateriais produzidos a partir de proteínas vegetais, reduzindo ainda mais a dependência de insumos de origem animal. Entre as inovações está uma película comestível para embutidos, semelhante à tripa utilizada em linguiças, cujo protótipo deve ser concluído em 2027.
Com regulamentação da Anvisa desde 2023, a carne cultivada já desperta o interesse de agroindústrias e startups brasileiras. Para os pesquisadores, a tecnologia pode representar um avanço importante na produção sustentável de alimentos, conciliando inovação, segurança alimentar e redução dos impactos ambientais.
Fonte: ABN
Película comestível serve como a tripa para o invólucro de embutidos



