
Abalo de magnitude 5,1 em João Câmara deixou milhares de desabrigados, provocou êxodo da população e impulsionou os estudos sobre terremotos no Brasil.
Quarenta anos após o maior terremoto já registrado no Rio Grande do Norte, João Câmara ainda convive com as lembranças da madrugada de 30 de novembro de 1986. O tremor de magnitude 5,1 atingiu a cidade pouco depois das 3h da manhã, destruiu milhares de imóveis, deixou cerca de 10 mil pessoas desabrigadas e provocou o maior êxodo da história do município.
Os abalos já vinham sendo registrados desde junho daquele ano, mas o terremoto surpreendeu a população pela intensidade. Muitas famílias deixaram suas casas às pressas, enquanto a cidade enfrentava falta de energia elétrica, interrupção das comunicações e um cenário de medo e incerteza.
Dias depois, o então presidente José Sarney visitou o município e anunciou apoio à reconstrução, com envio de recursos, equipes técnicas e especialistas para acompanhar a sequência de tremores.
Segundo especialistas, o fenômeno teve origem na Falha de Samambaia, considerada a maior estrutura geológica ativa conhecida no Brasil. A fratura atravessa municípios da região e continua apresentando atividade sísmica, tornando João Câmara uma das áreas de maior monitoramento geológico do país.
Além dos danos materiais, o episódio mudou a forma como os terremotos passaram a ser estudados no Brasil. O evento impulsionou pesquisas em sismologia, ampliou o monitoramento da atividade sísmica e demonstrou que, embora distante das grandes zonas tectônicas, o território brasileiro também está sujeito a tremores significativos.
Quatro décadas depois, João Câmara permanece conhecida como a “Terra dos Abalos”, símbolo de um dos episódios mais marcantes da história geológica brasileira.

Antiga ACDB, em João Câmara
Foto: Arquivo Josinoi Ferreira
Fonte: G1




