Cientistas soltam 130 mil filhotes de polvo para combater caranguejo-azul na Itália

Na natureza, um predador nativo contra um invasor.

5 Tempo de Leitura
Highlights
  • polvo, caranguejo-azul, Itália, Adriático, espécie invasora, Octo-Blu, predador, pesca, aquicultura, biodiversidade

Projeto Octo-Blu reforça população de espécie nativa do Adriático para tentar conter crustáceo invasor que ameaça pesca e fauna local

Cerca de 130 mil filhotes de polvo-comum foram soltos no Mar Adriático, na Itália, em uma tentativa inusitada de conter o avanço do caranguejo-azul, espécie invasora que vem provocando impactos sobre a fauna marinha e a atividade pesqueira.

Os polvos foram produzidos em laboratório e liberados ainda na fase paralarval, logo após a eclosão dos ovos. Com apenas alguns milímetros, os animais fazem parte do projeto Octo-Blu, desenvolvido pela Universidade de Bolonha em parceria com o governo da região da Emilia-Romanha.

A estratégia se baseia em uma relação natural de predador e presa. O polvo-comum já ocorre no Adriático e é conhecido por se alimentar de crustáceos. Segundo os pesquisadores, em condições favoráveis, um polvo adulto de aproximadamente um quilo pode consumir até quatro caranguejos-azuis por dia.

Invasor se espalhou pelo Mediterrâneo

O caranguejo-azul é originário do Atlântico ocidental, onde ocorre da costa leste do Canadá ao norte da Argentina. A espécie chegou ao Mediterrâneo provavelmente por meio da água de lastro de navios, utilizada para garantir estabilidade durante a navegação.

Embora tenha aparecido na região há décadas, a população do crustáceo cresceu de forma acelerada nos últimos anos. O aumento da temperatura das águas e a ausência de predadores capazes de controlar sua expansão estão entre os fatores associados à proliferação.

A capacidade reprodutiva também favorece o avanço da espécie. Uma única fêmea pode liberar mais de 700 mil ovos durante o período reprodutivo.

Com garras fortes, o caranguejo-azul consegue romper conchas de moluscos e passou a causar prejuízos especialmente em áreas de pesca e aquicultura.

Caranguejo-azul 

Polvos são produzidos em laboratório

O projeto Octo-Blu começou em 2024, inicialmente com uma etapa de pesquisas em laboratório para descobrir formas de produzir e criar os filhotes.

As primeiras solturas ocorreram em 11 e 17 de junho de 2026. Novas liberações foram realizadas ao longo de agosto, nas proximidades de Cesenatico e Riccione, áreas afetadas pela presença do crustáceo invasor.

Os pesquisadores também instalaram tocas artificiais para oferecer abrigo aos pequenos cefalópodes depois da soltura.

A escolha pelo polvo-comum levou em consideração o fato de ser uma espécie nativa do Mediterrâneo, evitando a introdução de um novo organismo no ecossistema.

Adoção Pet Love

“Não estamos introduzindo uma nova espécie, mas trabalhando para fortalecer a população de uma espécie nativa que já está naturalmente presente no Adriático”, explicou Antonio Casalini, técnico de pesquisa em aquicultura da Universidade de Bolonha, à Scientific American.

Polvo-comum predando caranguejo-azul

Estratégia não pretende eliminar o caranguejo

Apesar do grande número de filhotes liberados, os pesquisadores não esperam uma solução imediata. O objetivo do Octo-Blu não é eliminar o caranguejo-azul, mas ajudar a reduzir sua população como parte de um conjunto de medidas.

A estratégia poderá ser combinada com ações de pesca e outras formas de controle do crustáceo.

Um dos desafios está justamente no encontro entre predador e presa. Na Emilia-Romanha, os caranguejos-azuis ocupam principalmente ambientes quentes, rasos e arenosos, enquanto os polvos podem preferir condições diferentes. Essa diferença de habitat pode limitar a eficiência da predação.

Por isso, os cientistas também avaliam outras espécies que poderiam atuar como predadoras, incluindo enguias e robalos.

Itália busca alternativas contra invasor

A situação chegou a tal dimensão que o Ministério da Agricultura e da Soberania Alimentar da Itália nomeou um comissário extraordinário, Enrico Caterino, para coordenar ações contra a proliferação do caranguejo-azul.

A região da Emilia-Romanha também busca ampliar as pesquisas e estratégias de controle.

“O objetivo é colocar em campo todos os instrumentos disponíveis para combater o caranguejo-azul, proteger o equilíbrio do nosso ecossistema marinho e apoiar as empresas de pesca e aquicultura da Emilia-Romanha”, afirmou Alessio Mammi, secretário regional de Agricultura e Pesca.

Os próximos resultados do Octo-Blu deverão aparecer apenas no longo prazo. As liberações continuarão conforme a capacidade de produção dos laboratórios, enquanto os pesquisadores acompanham a sobrevivência dos polvos e o impacto sobre a população do crustáceo invasor.

Cientistas soltaram 130 mil filhotes de polvo para
conter ameaça do caranguejo-azul – Imagens geradas por IA
Fonte: IG Notícias
Gráfica e Editora Copbem, sempre causando uma boa impressão
Compartilhe está notícia