
Em sabatina à TV Globo, presidente muda posição histórica sobre o tema, assume responsabilidade pela avaliação do governo e defende mudanças no STF e na segurança pública.
A dez dias do segundo turno das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. A declaração foi feita na quinta-feira (15), durante sabatina à TV Globo, conduzida pela jornalista Renata Lo Prete.
A posição representa uma mudança em relação à postura historicamente adotada pelo presidente e pelo PT sobre o tema. Lula afirmou que crimes hediondos exigem punição, mas ponderou que a discussão não precisa necessariamente ser incluída na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
A declaração ocorre em meio ao debate sobre mudanças na legislação penal e à tentativa de ampliar a atuação federal no combate à criminalidade. Lula também afirmou que pretende criar um Ministério da Segurança Pública e financiar a construção de 138 presídios de segurança máxima.
Sobre organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho, o presidente disse que os grupos exercem práticas comparáveis ao terrorismo sobre comunidades brasileiras, mas criticou a possibilidade de classificação oficial dessas organizações como terroristas pelos Estados Unidos.
Avaliação do governo
Questionado sobre a avaliação negativa de sua administração e o resultado do primeiro turno, Lula assumiu a responsabilidade pelo desempenho do governo. Pesquisa Datafolha citada na entrevista apontou 41% de avaliações ruins ou péssimas, 35% positivas e 23% regulares.
O presidente atribuiu parte das dificuldades herdadas à gestão anterior, de Jair Bolsonaro, e defendeu a articulação com diferentes partidos no Congresso como condição para aprovar propostas. Também justificou o reajuste do Bolsa Família, afirmando que só tomou conhecimento de que o benefício não havia sido atualizado quando foi informado por seus ministros.
Supremo e Polícia Federal

Lula defendeu a investigação de suspeitas envolvendo o Banco Master e integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente afirmou que denúncias devem ser apuradas e que eventuais responsáveis precisam ser punidos. Também citou ministros da Corte ao comentar as suspeitas, sem que a entrevista, por si só, represente comprovação de irregularidades.
O presidente ainda relatou ter repreendido o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, por sua participação em uma festa em Londres associada ao banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo Lula, a explicação recebida não foi convincente, embora tenha elogiado o trabalho do dirigente.
Ao ser questionado sobre a permanência de Rodrigues no cargo em caso de reeleição, Lula evitou antecipar uma decisão e afirmou que, primeiro, precisa vencer a disputa eleitoral.
Fonte: IG Notícias



