Delegada é presa suspeita de repassar informações sigilosas ao PCC

Operação investiga suspeita de corrupção policial e repasse de dados sigilosos ao crime organizado

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Dra Marcela Paiva

Maria Virgínia Grimwood Pinto teria recebido R$ 50 mil de um líder da facção em troca de dados policiais e proteção a integrantes do grupo criminoso

A delegada da Polícia Civil do Pará, Maria Virgínia Grimwood Pinto, foi presa nesta sexta-feira (16), no Distrito Federal, suspeita de repassar informações sigilosas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Na mesma operação, um dos apontados como chefes da facção, Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, foi detido no Recife, em Pernambuco.

As prisões ocorreram durante a Operação Sinalagma, que investiga uma organização criminosa suspeita de envolvimento em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e corrupção.

De acordo com o delegado Ney Luiz Rodrigues, responsável por informações sobre o caso, a delegada teria mantido uma relação com o líder criminoso e recebido pagamentos em troca de dados restritos dos sistemas policiais.

Segundo o investigador, Renato teria transferido R$ 50 mil via Pix para Maria Virgínia. Em contrapartida, ela consultaria os sistemas da Polícia Civil do Pará e repassaria informações sigilosas ao suspeito. A delegada também é investigada por supostamente oferecer proteção institucional a integrantes da facção.

As investigações apontam que o grupo teria movimentado cerca de R$ 14 bilhões com o tráfico de drogas nos estados do Pará, Amazonas, Acre e Pernambuco.

A operação prevê o cumprimento de três mandados de prisão e 11 mandados de busca e apreensão domiciliar, além do sequestro de bens e do bloqueio de ativos financeiros. As medidas foram autorizadas pelo Juízo da Vara Criminal da Comarca de Ipojuca, em Pernambuco.

Início das investigações

As apurações conduzidas pela Polícia Civil de Pernambuco começaram em janeiro de 2025, quando Renato Henrique do Carmo foi preso na Região Metropolitana do Recife. Meses depois, ele passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

Inicialmente, o objetivo era identificar e desarticular uma organização criminosa suspeita de praticar tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e falsidade ideológica.

AgênciaModerna

Segundo as investigações, a relação entre Maria Virgínia e Renato teria começado em 2024, após a prisão dele no Pará. Na ocasião, ele estaria com um documento falso e teria sido liberado pela delegada, conforme a apuração.

Conhecido como “Gordão”, Renato é apontado como uma das lideranças do PCC e estaria foragido da Justiça de São Paulo havia cerca de cinco anos, devido a um mandado de prisão preventiva.

De acordo com o delegado Ney Luiz Rodrigues, após fugir para o Pará, Renato teria atuado em favor dos interesses da facção. Posteriormente, mudou-se para Pernambuco, onde, segundo a investigação, passou a exercer liderança no tráfico de drogas com atuação nos estados do Pará, Amazonas, Acre e Pernambuco.

As suspeitas apresentadas fazem parte da investigação, e a responsabilidade criminal dos envolvidos deverá ser determinada pela Justiça.

Fonte: IG Notícias

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