
Reportagem da revista piauí descreve suposta estratégia de representantes ligados à fabricante indiana Bharat Biotech para aproximar-se do então senador em 2021, durante as negociações para a venda de vacinas ao governo Bolsonaro.
Representantes ligados ao laboratório indiano Bharat Biotech teriam organizado um churrasco em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, em 2021, para tentar se aproximar do então senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo reportagem publicada pela revista piauí nesta quarta-feira (21), a estratégia incluiria um relógio Rolex de presente e a contratação de três prostitutas para a ocasião.
- Reportagem da revista piauí descreve suposta estratégia de representantes ligados à fabricante indiana Bharat Biotech para aproximar-se do então senador em 2021, durante as negociações para a venda de vacinas ao governo Bolsonaro.
- Negociação da Covaxin foi alvo da CPI da Pandemia
- Servidor apontou divergências nos documentos
- Reportagem volta a colocar Flávio no centro do debate
O encontro teria ocorrido em meio às tentativas de viabilizar a venda da vacina Covaxin ao governo de Jair Bolsonaro (PL), durante a pandemia de Covid-19. A reportagem descreve a festa como uma tentativa de conquistar a proximidade de Flávio, filho mais velho do então presidente, em uma negociação bilionária.
Não há, no relato apresentado, confirmação sobre como o encontro terminou nem comprovação de que Flávio tenha aceitado o presente ou participado de qualquer irregularidade relacionada à negociação.
Negociação da Covaxin foi alvo da CPI da Pandemia
A compra da vacina indiana Covaxin tornou-se um dos principais focos de investigação da CPI da Pandemia, realizada no Senado em 2021.
O governo federal negociou a aquisição de 20 milhões de doses por aproximadamente R$ 1,61 bilhão. O processo envolveu a Precisa Medicamentos, empresa que atuou como intermediária na negociação com a fabricante indiana.
A contratação foi questionada por causa de inconsistências documentais, suspeitas de pressões para acelerar a liberação do negócio e condições de pagamento consideradas atípicas.
Entre os pontos levantados durante as investigações estava a previsão de pagamento antecipado de US$ 45 milhões por meio de uma empresa sediada em Singapura, que não constava do contrato original.
O preço negociado também foi alvo de questionamentos. Na época, comparações apresentadas durante a CPI apontaram uma diferença expressiva em relação a valores associados à fabricante.
Servidor apontou divergências nos documentos
Um dos episódios centrais da investigação envolveu Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde responsável por procedimentos relacionados à importação de insumos.

Ele identificou divergências na documentação da compra, incluindo questões relacionadas ao pagamento antecipado e ao contrato com a Precisa Medicamentos. Diante dos problemas, recusou-se a liberar o processo.
O servidor levou as suspeitas às autoridades, e seu relato teve papel importante nos trabalhos da CPI da Pandemia. A divulgação das inconsistências contribuiu para ampliar o escrutínio público sobre a negociação.
A compra da Covaxin acabou não sendo concluída.
Reportagem volta a colocar Flávio no centro do debate
Cinco anos depois dos acontecimentos, o relato publicado pela piauí volta a associar o nome de Flávio Bolsonaro aos bastidores da tentativa de venda da vacina ao governo de seu pai.
A reportagem descreve uma suposta estratégia de aproximação que teria recorrido a presentes e entretenimento para conquistar acesso político. As informações, porém, não demonstram por si só que o senador tenha participado de irregularidades na negociação da Covaxin.
O episódio recupera um dos casos mais controversos da gestão federal durante a pandemia e reacende o debate sobre transparência, influência política e os mecanismos de fiscalização de contratos públicos.



