Operação Overclean: nona fase mira deputado Federal em desvio de verbas

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© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
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A Polícia Federal (PF), em colaboração com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, deflagrou nesta terça-feira, 13 de fevereiro, a nona fase da Operação Overclean, uma ação contínua destinada a desmantelar uma organização criminosa com forte atuação em desvio de recursos públicos. O esquema criminoso é suspeito de se beneficiar de emendas parlamentares, praticar corrupção ativa e passiva, e realizar lavagem de dinheiro. O principal alvo desta etapa é o deputado federal Félix Mendonça Júnior, representante do PDT-Bahia. A Operação Overclean continua a revelar a complexidade e a amplitude das atividades ilícitas, com mandados de busca e apreensão sendo cumpridos na Bahia e no Distrito Federal, sob a autoridade do Supremo Tribunal Federal (STF).

A deflagração da nona fase e seus alvos

Detalhes da ação mais recente

Nesta nona fase da Operação Overclean, as autoridades cumpriram nove mandados de busca e apreensão. Estas medidas judiciais, expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, visaram endereços nos estados da Bahia e no Distrito Federal. O foco principal da investigação atual recai sobre o deputado federal Félix Mendonça Júnior, apontado como um dos possíveis beneficiários ou articuladores do esquema de corrupção e desvio de verbas.

Além dos mandados de busca e apreensão, o STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas associadas aos investigados. O objetivo primordial desta medida cautelar é duplo: interromper a movimentação de valores que, presumivelmente, possuem origem ilícita e, concomitantemente, preservar os ativos para uma eventual reparação aos cofres públicos, caso as acusações sejam confirmadas. Os indivíduos e entidades sob investigação poderão ser responsabilizados por uma série de crimes graves, incluindo organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além do fundamental crime de lavagem de dinheiro, que busca ocultar a origem ilícita dos bens.

O extenso histórico da Operação Overclean

O início das investigações: dezembro de 2024

A Operação Overclean teve sua primeira fase desencadeada em 10 de dezembro de 2024. Desde o seu princípio, a investigação concentrou-se no direcionamento ilícito de recursos públicos. Estes recursos, originados de emendas parlamentares e convênios, eram supostamente desviados para empresas e indivíduos que mantinham ligações com prefeituras no estado da Bahia. A estrutura do esquema criminoso era complexa e preocupante, pois contava com o apoio de policiais. Esses agentes, em vez de combater o crime, supostamente repassavam informações sensíveis à organização criminosa, incluindo a identificação de agentes federais envolvidos em diligências sigilosas, comprometendo a eficácia das ações investigativas.

Em suas primeiras frentes, ainda em dezembro de 2024, a Operação Overclean recebeu o auxílio estratégico da Agência Americana de Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations). Essa parceria internacional foi crucial para aprofundar a apuração do desvio de recursos públicos. As investigações iniciais levantaram suspeitas de superfaturamento em obras e um sistemático desvio de recursos, que teriam sido canalizados para “empresas e indivíduos ligados a administrações municipais”. Estima-se que o montante movimentado ilegalmente por essa rede criminosa tenha chegado à impressionante cifra de R$ 1,4 bilhão. As ações ilícitas teriam atingido diretamente órgãos como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), com particular foco na Coordenadoria Estadual da Bahia, além de outras entidades públicas. Como uma das primeiras consequências, oito servidores públicos foram afastados de suas funções por determinação judicial, indicando a gravidade e a extensão da infiltração da organização criminosa em setores estatais.

Desdobramentos e fases subsequentes

A Operação Overclean tem se caracterizado por uma série de desdobramentos contínuos, demonstrando a persistência das autoridades em desmantelar a rede criminosa.

Em junho de 2025, a quarta fase da operação resultou em medidas significativas. Foi determinado o afastamento de dois prefeitos baianos de seus cargos, ambos sob forte suspeita de envolvimento no desvio de emendas parlamentares. Os gestores públicos em questão eram Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira, do município de Ibipitanga, e Alan Machado, à frente da prefeitura de Boquira.

A quinta fase, deflagrada em julho de 2025, revelou novas camadas do esquema. O núcleo investigado desta etapa teria manipulado procedimentos de licitações públicas, direcionando e desviando recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas ao município de Campo Formoso, na Bahia. Além das fraudes, os investigadores também identificaram tentativas de obstrução das investigações, o que intensificou a necessidade de ações mais enérgicas. O Supremo Tribunal Federal, agindo nesta fase, determinou o bloqueio de expressivos R$ 85,7 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas, visando novamente garantir a recuperação dos valores desviados.

A sétima fase da Overclean, deflagrada em 16 de outubro, prosseguiu com a repressão ao esquema. Nela, foi expedida uma medida cautelar que culminou no afastamento do cargo de um agente público, também suspeito de participação nos atos ilícitos. Além disso, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em localidades estratégicas na Bahia, como Riacho de Santana e Wenceslau Guimarães, e também no estado do Rio de Janeiro, na cidade de Arraial do Cabo, demonstrando a capilaridade da organização.

Por fim, no final de outubro, a oitava fase da operação expandiu ainda mais o alcance geográfico das investigações. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, determinados pelo STF, em diferentes capitais e cidades: Brasília (DF), São Paulo (SP), Palmas (TO) e Gurupi (TO). Cada nova fase da Operação Overclean tem sido fundamental para desvendar a estrutura e a complexidade da organização criminosa, atingindo seus diferentes braços e desarticulando progressivamente suas atividades ilegais.

Consequências e a luta contra a corrupção

A Operação Overclean, em suas nove fases, tem demonstrado a amplitude da corrupção e do desvio de recursos públicos no Brasil. Sua atuação se estende por diversos estados, atingindo um número considerável de envolvidos, desde políticos e servidores públicos a empresários, e lidando com bilhões de reais em movimentações financeiras ilícitas e bloqueios judiciais. A persistência das autoridades, por meio da Polícia Federal, Controladoria-Geral da União, Receita Federal e com a supervisão do Supremo Tribunal Federal, reafirma o compromisso do Estado brasileiro em combater a criminalidade organizada e a malversação do dinheiro público. Cada fase da operação contribui para desmantelar os grupos criminosos, reaver ativos para os cofres públicos e restaurar a confiança nas instituições. A Operação Overclean segue em andamento, com a expectativa de novos desdobramentos e a efetiva responsabilização de todos os envolvidos, reforçando a mensagem de que a impunidade não prevalecerá.

Perguntas frequentes sobre a Operação Overclean

O que é a Operação Overclean?

A Operação Overclean é uma série de investigações conjuntas, conduzidas pela Polícia Federal, Controladoria-Geral da União e Receita Federal. Seu objetivo principal é desarticular organizações criminosas especializadas no desvio de recursos públicos, fraude em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro, frequentemente utilizando emendas parlamentares e convênios para suas atividades ilícitas.

Quais crimes são investigados na Operação Overclean?

Os investigados na Operação Overclean podem responder por uma gama de crimes, incluindo organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato (desvio de bens ou valores públicos por servidor), fraude em licitações e contratos administrativos, além do crucial crime de lavagem de dinheiro, que visa dar aparência legal a recursos obtidos ilegalmente.

Quem são os principais alvos e regiões afetadas pela operação?

Os principais alvos da Operação Overclean incluem políticos (como deputados federais e prefeitos), servidores públicos, empresários e indivíduos com ligações a administrações municipais. As regiões mais impactadas até o momento são a Bahia e o Distrito Federal, mas a operação já teve desdobramentos e cumpriu mandados em outros estados, como São Paulo, Tocantins e Rio de Janeiro, indicando a abrangência da rede criminosa.

Qual o impacto financeiro das ações da Overclean?

A Operação Overclean já resultou no bloqueio de dezenas de milhões de reais em contas bancárias de investigados. Por exemplo, na nona fase, foram bloqueados R$ 24 milhões, e na quinta fase, outros R$ 85,7 milhões. Além disso, as investigações iniciais identificaram a movimentação de mais de R$ 1,4 bilhão em esquemas ilícitos, demonstrando o volume expressivo de recursos públicos desviados.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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