
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno de 2026 à frente de Lula; desde 1989, segundo turno presidencial nunca mudou a ordem dos dois primeiros colocados.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno da eleição presidencial de 2026 na liderança, com 56,1 milhões de votos (47,03%), enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 53,9 milhões (45,16%). A diferença foi de cerca de 2,2 milhões de votos, ou 1,87 ponto percentual. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
O resultado coloca Lula diante de um cenário inédito em sua trajetória eleitoral: disputar o segundo turno depois de terminar a primeira rodada atrás do adversário. Ao mesmo tempo, o histórico das eleições presidenciais desde a redemocratização mostra que nunca houve uma virada entre o primeiro e o segundo turno.
Desde 1989, todos os candidatos que terminaram o primeiro turno na liderança e avançaram para a rodada final também venceram a eleição. O histórico inclui as disputas de 1989, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022.
Casos de Lula e Haddad
Lula já tentou reverter uma desvantagem presidencial. Em 1989, terminou o primeiro turno 13,3 pontos atrás de Fernando Collor. Cresceu no segundo turno, mas acabou derrotado por cerca de seis pontos.
Em 2018, Fernando Haddad também chegou à rodada final em segundo lugar. Ele terminou o primeiro turno 16,75 pontos atrás de Jair Bolsonaro e reduziu a diferença no segundo, mas não conseguiu ultrapassá-lo.
Em 2022, a situação foi inversa. Lula terminou o primeiro turno à frente de Jair Bolsonaro por 5,23 pontos percentuais e confirmou a vitória no segundo turno, por uma diferença de 1,8 ponto — a disputa presidencial mais apertada desde a redemocratização até aquele momento.
Viradas são mais comuns nas eleições estaduais
Nos governos estaduais, o cenário é diferente. Entre 1990 e 2022, houve 120 eleições estaduais com segundo turno, e 35 terminaram com uma virada — aproximadamente 29% do total.
Um dos casos mais conhecidos ocorreu em São Paulo, em 1998. O então governador Mário Covas (PSDB) chegou ao segundo turno 9,3 pontos atrás de Paulo Maluf (PPB). Na rodada final, conseguiu inverter a vantagem e venceu a eleição.

Outras viradas ocorreram em diferentes estados ao longo das décadas. Em 2018, por exemplo, houve duas reversões entre as 14 disputas estaduais de segundo turno. Em 2022, foram quatro.
O que muda em 2026
A eleição presidencial deste ano registrou a menor diferença entre os dois primeiros colocados no primeiro turno desde a redemocratização: 1,87 ponto percentual separou Flávio Bolsonaro de Lula.
Também houve 21,07% de abstenção, o equivalente a cerca de 33,4 milhões de eleitores. Esses votos não são automaticamente transferidos para nenhum candidato no segundo turno: cada eleitor que comparecer novamente fará uma nova escolha entre os dois concorrentes.
O segundo turno, portanto, terá uma característica histórica: pela primeira vez desde 1989, o candidato que terminou a primeira rodada na liderança tentará manter a vantagem diante de um adversário que busca uma reversão inédita na eleição presidencial brasileira.
Fonte: IG Notícias



