Caso Lilica: Cachorra resgatada de maus-tratos foge da custódia municipal em Ribeirão Preto e gera polêmica

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G1
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Uma situação que mescla denúncias de maus-tratos animais com falhas na custódia pública tem gerado grande repercussão em Ribeirão Preto (SP). A cadela Lilica, resgatada por autoridades após ser filmada em uma suposta agressão, desapareceu horas depois de ser acolhida pela Divisão de Bem-Estar Animal (DBEA) da prefeitura. O incidente não apenas reacendeu o debate sobre a proteção animal, mas também provocou severas críticas da família da tutora e especialistas em direito animal à administração municipal, levantando questões sobre a responsabilidade e a segurança dos animais sob tutela pública.

Do Flagrante à Denúncia de Maus-Tratos

A saga de Lilica começou a ganhar notoriedade em 17 de março, quando moradores de um condomínio na zona Norte da cidade registraram o tutor do animal, Thallison Henrique Soares da Silva, supostamente agredindo duas cadelas – incluindo Lilica – no pátio do residencial. As imagens, que mostravam chutes e arremessos dos animais ao chão, rapidamente circularam e culminaram em uma denúncia formal. Nesta quinta-feira, policiais civis e agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) agiram, realizando o resgate da cadela e encaminhando Thallison à delegacia para prestar depoimento.

Em sua defesa, Thallison alegou que os atos filmados eram na verdade uma tentativa desesperada de separar uma briga entre as duas cachorras, mencionando que uma delas o mordeu durante o processo. Ele argumentou que a polícia, ao visitar seu apartamento, não encontrou evidências de maus-tratos, reiterando o cuidado que oferece aos seus pets. Contudo, o delegado seccional Sebastião Piccinato refutou essa versão, classificando a conduta de Thallison como um 'excesso' e uma 'agressão desnecessária', configurando, na sua visão, um caso típico de maus-tratos.

O Desaparecimento Inexplicável da Custódia Municipal

Após ser resgatada e levada à Divisão de Bem-Estar Animal (DBEA) para receber atendimento veterinário, conforme protocolo para casos de denúncia, Lilica desapareceu. A cadela conseguiu escapar das instalações municipais poucas horas após sua chegada, mergulhando o caso em uma nova e alarmante camada de controvérsia. Até o momento, a Prefeitura de Ribeirão Preto não forneceu esclarecimentos sobre as circunstâncias da fuga, deixando muitas perguntas sem resposta.

A notícia da fuga levou o próprio Thallison, juntamente com sua namorada e irmão, a se juntar a uma força-tarefa de busca, que incluiu equipes da DBEA e da GCM. Um drone foi utilizado para vasculhar o bairro Adelino Simioni, mas, apesar dos esforços intensificados, Lilica não havia sido localizada até a última atualização do caso, gerando angústia e incerteza sobre seu paradeiro e bem-estar.

Indignação da Família e Falha na Comunicação

A família tutora de Lilica expressou profunda revolta e desapontamento com a administração municipal. Lorraine, membro da família, questionou publicamente a eficácia do órgão responsável: "Eles tiraram as cachorras da gente para, no final, a cachorra fugir. Ninguém sabe onde ela está?" A crítica se estende à falha na comunicação, já que a família alega ter sido informada do desaparecimento de Lilica por um jornalista, e não diretamente pela Prefeitura. A preocupação com o destino da cadela, que pode ser atropelada ou morrer na rua, intensifica o drama familiar.

Jefferson Soares da Silva, irmão de Thallison, defendeu a índole de seu familiar, afirmando que o vídeo de maus-tratos foi tirado de contexto e que a família sempre teve um histórico de cuidado com animais. Ele reiterou que Thallison sempre foi bondoso e que a imagem capturada não reflete sua conduta geral. A outra cachorra da família, também envolvida na denúncia, foi encontrada na casa de parentes e, aparentemente, está segura.

A Responsabilidade da Prefeitura: Análise Jurídica

A presidente da Comissão de Direito Animal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Ribeirão Preto, Fabíola Coelho, classificou a fuga de Lilica como um evento de 'gravidade máxima'. Segundo ela, a partir do momento em que o animal é recolhido e colocado sob os cuidados da Divisão de Bem-Estar Animal, a responsabilidade integral pela sua proteção, bem-estar e localização recai sobre a prefeitura. Qualquer incidente que ocorra com Lilica, enquanto sob esta tutela, deverá ser respondido pelo poder público, que se torna o guardião legal do animal.

Essa perspectiva jurídica reforça a cobrança pela rápida localização de Lilica e pela elucidação das causas da fuga, destacando a importância da transparência e da prestação de contas por parte das instituições que zelam pela causa animal. A situação de Lilica não é apenas um caso isolado, mas um espelho da necessidade de protocolos robustos e eficientes na gestão e proteção de animais resgatados.

O caso de Lilica expõe a complexidade das questões envolvendo a proteção animal, desde as denúncias de maus-tratos até a crucial responsabilidade dos órgãos públicos. A fuga da cadela de um departamento municipal não só frustra os esforços de resgate, mas também abala a confiança da população na capacidade das autoridades de garantir a segurança dos animais sob sua custódia. Enquanto a busca por Lilica continua, o episódio serve como um alerta para a urgência de aprimorar os procedimentos de acolhimento e guarda, garantindo que a justiça pelos animais seja plena e ininterrupta.

Fonte: https://g1.globo.com

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