Colapso funerário obriga famílias a transportar corpos em caminhonetes na Venezuela

Quando a tragédia supera a estrutura, a dor das famílias se torna ainda maior.

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Venezuela: sem carro funerário, corpos são levados em caminhonete - Foto Reprodução
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Algumas ruínas estavam pichadas com os nomes dos edifícios, numa

tentativa de ajudar os socorristas – Reprodução/ Redes Sociais

A tragédia provocada pelos terremotos que devastaram a Venezuela ganhou mais um retrato do drama enfrentado pela população. Com hospitais superlotados, necrotérios sem capacidade e serviços funerários em colapso, famílias passaram a transportar os corpos de parentes em caminhonetes e veículos particulares até centros de medicina legal.

Em Caracas, imagens registradas pela imprensa local mostram caminhonetes estacionadas em frente ao principal necrotério da capital transportando vítimas envoltas em sacos mortuários improvisados. A cena evidencia a sobrecarga da estrutura pública diante do elevado número de mortos.

Segundo a agência AFP, apenas em uma hora, pelo menos três veículos chegaram ao local levando corpos cobertos por lençóis e sacos funerários. Um funcionário do Serviço Nacional de Medicina Legal informou, sob condição de anonimato, que cerca de 200 corpos foram recebidos desde sexta-feira (26).

Entre as histórias que simbolizam a dimensão da tragédia está a de Yessica Mendoza, de 43 anos. Ela precisou transportar o corpo da filha, Yesimar Rodríguez, de 25 anos, até Caracas porque os hospitais da região atingida já não tinham condições de receber novas vítimas.

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Yesimar e o marido, Jhomel Anaya, de 26 anos, morreram após o desabamento do edifício onde moravam, em La Guaira. Segundo a mãe, a própria família retirou os corpos dos escombros sem apoio das equipes de resgate. Devido ao estado avançado de decomposição, os familiares optaram pela cremação.

Os terremotos atingiram a região norte da Venezuela na noite de quarta-feira (24), com dois fortes tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 registrados em intervalo inferior a um minuto. A baixa profundidade dos abalos e a proximidade das áreas urbanas ampliaram os danos, provocando destruição em Caracas, La Guaira e outros municípios.

De acordo com o governo venezuelano, mais de 3 mil pessoas ficaram feridas e cerca de 3.100 estão desabrigadas. Organizações internacionais alertam que o número de desaparecidos pode ultrapassar 50 mil, enquanto milhões de pessoas foram afetadas pela tragédia.

As operações de resgate continuam com apoio de equipes internacionais. O Brasil enviou médicos, cães farejadores, equipamentos especializados e ajuda humanitária para reforçar as buscas por sobreviventes. Apesar do esforço conjunto, autoridades reconhecem que centenas de pessoas ainda podem estar sob os escombros, e o número de vítimas pode aumentar nos próximos dias.

Na bagagem, seguem equipamentos para resgate em estruturas colapsadas,
recursos médicos e mantimentos – Divulgação/ Corpo de Bombeiros de São Paulo
Fonte: IG Notícias

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